A contundente carta aberta divulgada por Luís Figo, na qual exige a saída imediata de Gianni Infantino da presidência da FIFA, voltou a colocar uma questão no centro do debate do futebol internacional: poderá o antigo internacional português avançar para a liderança do organismo que tutela o futebol mundial?

Na mensagem publicada esta quarta-feira, Figo não poupou críticas ao actual presidente da FIFA, acusando-o de comprometer a credibilidade da instituição e de afastar o futebol dos princípios que, na sua visão, devem orientar a modalidade. A carta termina com uma frase que rapidamente ganhou destaque em todo o mundo: 

"Ele deve sair. Agora." - Luís Figo

As declarações surgem numa altura de forte contestação ao projecto de comercialização de participações da FIFA junto de investidores privados, uma iniciativa que encontrou resistência significativa por parte de várias entidades do futebol internacional, incluindo a UEFA, da qual Luís Figo é actualmente conselheiro para o futebol.

Embora o antigo capitão da selecção portuguesa não tenha manifestado qualquer intenção de concorrer à presidência da FIFA, a firmeza das suas críticas levou muitos adeptos e analistas a recordar que esta não seria a primeira vez que o seu nome surge associado ao cargo.

Em 2015, Luís Figo apresentou oficialmente a sua candidatura à presidência da FIFA, prometendo uma profunda reforma na organização. Contudo, acabou por retirar-se da corrida poucos dias antes das eleições, denunciando um processo que considerou pouco transparente e sem condições para uma disputa justa. Na altura, afirmou que o acto eleitoral estava "viciado" e recusou legitimar o que classificou como uma falsa eleição.

Meses depois, após a saída de Sepp Blatter, Figo apoiou a candidatura de Gianni Infantino, acreditando que o dirigente suíço representava uma oportunidade para renovar a FIFA. Mais de uma década depois, a relação parece ter sofrido uma mudança radical, com o português a tornar-se um dos mais duros críticos da actual liderança.

Apesar da crescente especulação nas redes sociais e em alguns sectores do futebol, não existe qualquer indicação oficial de que Luís Figo esteja a preparar uma nova candidatura à presidência da FIFA. Até ao momento, o antigo jogador limitou-se a exigir uma mudança de liderança, sem revelar qualquer ambição pessoal para ocupar o cargo.

Ainda assim, o seu passado como candidato, aliado ao peso internacional que continua a ter no futebol europeu, faz com que o seu nome volte inevitavelmente a integrar a lista de possíveis protagonistas caso venha a abrir-se uma nova corrida à presidência da FIFA.