Segundo os portais timesaerospace.aero e ch-aviation.com, a consultora internacional Knighthood Global, sediada em Abu Dhabi e liderada por James Hogan, antigo CEO do grupo Etihad Airways, foi formalmente designada pelo Governo de Moçambique para liderar o processo de revitalização da LAM – Linhas Aéreas de Moçambique, e do sector da aviação civil do país.

A companhia aérea nacional moçambicana, em situação crónica de prejuízo, enfrenta há anos instabilidade operacional, indisponibilidade de aeronaves, frequentes mudanças na gestão de topo, suspensão de rotas e uma frota reduzida a quatro aviões: dois Embraer EMB-145, um Bombardier CRJ900 e um Boeing 737-500, todos operando a partir do Aeroporto Internacional de Maputo.

A LAM, que atravessa perdas crónicas e instabilidade operacional, opera actualmente com apenas quatro aeronaves – dois Embraer EMB-145, um Bombardier CRJ900 e um Boeing 737-500 – a partir do Aeroporto Internacional de Maputo. A empresa tem enfrentado, nos últimos anos, sucessivas trocas na liderança, cancelamentos de rotas e indisponibilidade da frota.

Num comunicado oficial, a Knighthood Global afirmou que o objectivo inicial será "estabilizar e reposicionar" a companhia aérea nos primeiros três meses de intervenção. Este trabalho será conduzido em coordenação com os novos accionistas da LAM: a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), os Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e a Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE), a quem cabe também a reposição e modernização da frota. 

A consultora sublinha que a articulação entre as partes interessadas e a boa governação serão pilares essenciais do processo, de forma a restabelecer a confiança e definir uma estratégia unificada para a transformação da empresa. O plano visa também fortalecer a conectividade aérea nacional e internacional, apoiando sectores chave como o turismo, mineração, petróleo e agricultura. 

Esta intervenção insere-se numa série de projectos que a Knighthood Global tem vindo a desenvolver em África, incluindo missões semelhantes no Zimbabué e na Tanzânia. Em 2023, a consultora passou a integrar a Associação das Companhias Aéreas Africanas (AFRAA) como membro de pleno direito. 

“A África está a atravessar uma fase de crescimento e transformação sem precedentes”, afirmou James Hogan. “Estamos entusiasmados por contribuir para esta evolução, através da promoção de uma aviação segura, sustentável e economicamente viável”. 

A Knighthood possui um histórico relevante na reestruturação de companhias públicas e privadas, como demonstrado no caso da Air Malta, cujo plano de relançamento foi elaborado em colaboração com a Deloitte UK e a Sabre, e aprovado pela União Europeia após a crise provocada pela pandemia. Esse projecto concluiu-se no final de 2024. 

Mais recentemente, a Knighthood foi escolhida como consultora estratégica da start-up britânica Global Airlines, onde também assumirá uma participação accionista. A empresa irá apoiar os próximos passos na obtenção da licença operacional no Reino Unido e no lançamento de operações com aeronaves Airbus A380.