Um jovem engenheiro moçambicano desenvolveu um protótipo de óculos inteligentes concebidos para devolver autonomia a pessoas cegas, através de um sistema que combina localização e vibrações de alerta. A invenção, ainda em fase experimental, propõe-se a transformar a forma como cidadãos com deficiência visual interagem com o espaço que os rodeia.

Em entrevista à Lusa, o Formado em Engenharia Electrónica  explica que o dispositivo funciona com base em sensores capazes de detectar obstáculos no percurso do utilizador. A informação recolhida é convertida em sinais vibratórios que permitem antecipar barreiras físicas, como paredes, degraus ou objectos inesperados.

“A ideia é que a pessoa receba um aviso imediato sempre que exista um obstáculo à frente”, refere o engenheiro, sublinhando que o objectivo central é reforçar a independência e a segurança.

O protótipo integra igualmente um sistema de localização que auxilia na orientação espacial, oferecendo ao utilizador uma percepção mais clara do ambiente envolvente. Ao conjugar tecnologia sensorial com um mecanismo de resposta táctil, o jovem inventor pretende criar uma solução acessível e adaptada à realidade moçambicana.

Mais do que um exercício académico, o projecto nasce da consciência das dificuldades enfrentadas diariamente por pessoas com deficiência visual. A ambição é clara: reduzir riscos, ampliar horizontes e devolver confiança a quem vive na ausência de visão.

Num país onde a inovação tecnológica enfrenta desafios estruturais, iniciativas como esta revelam o potencial criativo da juventude moçambicana e a capacidade de responder, com engenho e determinação, a problemas concretos da sociedade.