O Presidente de Angola, João Lourenço, iniciou o seu mandato de um ano à frente da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) com uma visão clara e um chamado veemente à acção. A sua posse, marcada por um discurso firme, teve como foco central a necessidade de acelerar a implementação do Fundo de Desenvolvimento, considerado o motor da industrialização regional.
Lourenço manifestou um compromisso inequívoco com a diversificação das fontes de financiamento, com o claro intuito de aliviar a dependência dos parceiros internacionais. Sublinhou a imperatividade da operacionalização do Fundo de Desenvolvimento Regional, vendo nele uma alavanca vital para a transformação económica da região.
Na sua intervenção, delineou os contornos de um mandato ambicioso que prevê investimentos robustos em várias frentes. Falou em electrificação, na escalada da produção de etanol e alimentos, e na interligação das redes energéticas, como parte de uma estratégia integrada que visa dinamizar o comércio e a circulação de pessoas e bens nos países membros.
Angola, terra de vastos recursos e ambições, parece estar em marcha acelerada, moldando o seu destino com passos largos e firmes. Está a erguer-se sobre pilares estratégicos, investindo na construção de infra-estruturas que serão as artérias do país, como o imponente corredor de Lobito. A aposta estende-se à energia limpa, um sopro de renovação, e à inovação tecnológica, tal como exemplificado pelo promissor cabo de fibra óptica que estenderá seus fios conectando Angola a vizinhos, numa teia regional de progresso.
Mas João Lourenço não parou na matéria inerte; falou da essência do futuro, do capital humano. Falou de jovens, os herdeiros da nação, e da necessidade vital de os preparar para a quarta revolução industrial. Falou com paixão, com o olhar fixo no horizonte, onde vê uma geração qualificada abraçando o mercado de trabalho, caminhando para um futuro onde a oportunidade não é um luxo, mas um direito adquirido.
A sombra da instabilidade paira sobre a região, e o Presidente angolano não a ignorou. Abordou a delicada situação na República Democrática do Congo e louvou os esforços conjuntos para a resolução dos conflitos.
Destaque particular foi dado à situação em Cabo Delgado, Moçambique. João Lourenço manifestou-se positivo quanto aos progressos alcançados, mas manteve o tom de preocupação perante a persistência do terrorismo. Louvou a decisão de manter a missão da SADC em Moçambique, uma clara manifestação do compromisso regional com a estabilidade.
A SADC, agora sob a liderança convicta de Angola, tem pela frente o desafio de monitorizar eleições em países como a RDCongo, Eswatini, Madagáscar e Zimbabwe. Um desafio que, segundo João Lourenço, será enfrentado com princípios de paz, liberdade e justiça, em consonância com os valores que regem a região.
