Segundo a CNN, a extraordinária exibição de Vozinha frente à Espanha continua a produzir ondas muito para além das quatro linhas. Depois de ter sido uma das figuras da surpreendente igualdade sem golos entre Cabo Verde e a selecção espanhola, o guarda-redes cabo-verdiano viu agora a sua situação familiar chegar aos corredores do poder em Washington.
O Departamento de Estado norte-americano confirmou na terça-feira que está a tentar ajudar a mãe do jogador a obter os documentos necessários para viajar para os Estados Unidos e assistir aos jogos do filho no Campeonato do Mundo.
A história ganhou destaque depois das declarações emocionadas de Vozinha no final do encontro de segunda-feira. O guarda-redes revelou que a mãe não conseguiu estar presente devido a dificuldades relacionadas com o processo de visto.
“Ela não conseguiu estar aqui por causa do visto... o dinheiro que temos de pagar pelo visto”, afirmou aos jornalistas. “Não conseguimos resolver tudo a tempo e eu gostava que ela estivesse aqui.”
A situação surge num contexto particular. Cabo Verde integra a lista de 50 países cujos cidadãos estão sujeitos, por decisão da administração Trump, ao pagamento de uma caução que pode atingir os 15 mil dólares, medida justificada pelas autoridades norte-americanas com alegadas taxas elevadas de permanência ilegal após o termo dos vistos.
Confrontado com as declarações do atleta, um responsável do Departamento de Estado esclareceu que não existe qualquer registo de um pedido de visto apresentado pela mãe de Vozinha. A mesma fonte acrescentou que os familiares dos jogadores participantes no Mundial estão isentos da exigência dessa caução.
“O Departamento de Estado dos Estados Unidos não tem qualquer registo de um pedido de visto desta pessoa. Todos os familiares dos jogadores têm direito à isenção da caução associada ao visto e o Departamento está activamente a contactar a família do jogador para prestar assistência nos serviços de visto”, declarou o responsável.
Uma fonte próxima do processo indicou ainda que a mãe do guarda-redes não possui actualmente um passaporte válido e encontra-se a tratar da respectiva obtenção.
No seu portal oficial, o Departamento de Estado explica que a exigência da caução é dispensada para atletas e membros das equipas — incluindo treinadores, elementos de apoio e familiares directos — provenientes de países participantes no Mundial de 2026, desde que cumpram todos os requisitos para a obtenção do visto.
Enquanto decorrem os esforços diplomáticos, a popularidade de Vozinha continua a crescer a um ritmo impressionante.
Aos 40 anos, o guarda-redes que actua na segunda divisão portuguesa transformou-se numa das grandes histórias do torneio. Frente à poderosa Espanha, realizou sete defesas decisivas e liderou a resistência de uma selecção que disputava o primeiro jogo da sua história em fases finais de Campeonatos do Mundo.
As previsões apontavam para um domínio absoluto dos campeões europeus. Muitos antecipavam um resultado semelhante ao triunfo da Alemanha sobre Curaçau por 7-1, registado no domingo. No entanto, Cabo Verde contrariou todos os prognósticos e conquistou um empate histórico que desencadeou celebrações por todo o arquipélago.
Com cerca de 530 mil habitantes, o país viveu uma noite inesquecível. E o mundo do futebol acompanhou a festa.
A notoriedade do guarda-redes disparou igualmente nas redes sociais. Incentivado por uma estação televisiva brasileira, Vozinha viu a sua conta no Instagram crescer de aproximadamente 50 mil seguidores para mais de 9,7 milhões em poucas horas.
A próxima oportunidade para continuar a escrever esta história improvável acontecerá no domingo, às 18 horas da costa leste dos Estados Unidos, quando Cabo Verde defrontar o Uruguai, em Miami. Nesse dia, o guarda-redes poderá voltar a ser protagonista. E, talvez, com a mãe finalmente na bancada.
Fonte: CNN
