Moçambique enfrenta um desafio significativo na sua indústria avícola devido à propagação da gripe das aves, uma preocupação que se estende à vizinha África do Sul. A província moçambicana de Inhambane foi recentemente afectada, levando ao abate de 45 mil galinhas poedeiras. Estas aves, que produziam cerca de 44 mil ovos diariamente para consumo, foram abatidas como medida preventiva, dada a sua relação com os surtos na África do Sul.
A unidade de produção afectada, situada no distrito de Morrumbene, pertence a um empresário sul-africano e tinha um papel crucial no abastecimento de ovos na província de Inhambane, uma das mais turísticas de Moçambique, e em regiões adjacentes. A retoma das actividades desta empresa está prevista apenas para Fevereiro do próximo ano, representando um prejuízo mensal estimado em 13 milhões de meticais.
Américo da Conceição, director nacional de Desenvolvimento Pecuário, apelou aos avicultores para reforçarem as medidas de biosegurança nas suas unidades, de modo a prevenir futuros surtos.
Por outro lado, a África do Sul, já em dificuldades devido a diversos desafios na sua indústria avícola, abateu aproximadamente 2,5 milhões de galinhas para conter a propagação da doença. A província de Gauteng, que engloba Joanesburgo e Pretória, foi particularmente afectada, com mais de metade dos surtos registados.
Face à crescente escassez, algumas lojas em Joanesburgo começaram a limitar a quantidade de ovos disponíveis para venda. Em resposta, o Governo sul-africano está a acelerar a emissão de licenças para importação de ovos de outros países, numa tentativa de garantir o abastecimento. Adicionalmente, está em consideração um programa de vacinação para combater a gripe das aves.
A crise actual é descrita pela Associação Sul-Africana de Avicultura como a pior desde 2017. A situação é ainda mais preocupante à luz dos dados dos centros norte-americanos de Controlo e Prevenção de Doenças, que indicam um aumento global dos surtos de gripe das aves nos últimos anos.
A África do Sul, já afectada por problemas de fornecimento de electricidade, viu a sua indústria avícola ser ainda mais prejudicada, com apagões frequentes que afectaram a produção. No início deste ano, quase 10 milhões de pintos tiveram de ser abatidos devido a cortes de energia.
Em resumo, a gripe das aves está a ter um impacto significativo na indústria avícola de Moçambique e da África do Sul, com consequências económicas e sociais que se estendem além das fronteiras destes países.
