Os corredores logísticos de Maputo, Beira e Nacala devem deixar de ser vistos apenas como vias de circulação de mercadorias e assumir um papel decisivo na transformação económica de Moçambique. A ambição foi defendida pelo ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, que pretende converter estas infra-estruturas estratégicas em instrumentos de industrialização, expansão agrícola, criação de emprego e fortalecimento do empresariado nacional.

A posição foi apresentada na quarta-feira, 14 de Outubro, em Macaneta, distrito de Marracuene, província de Maputo, durante a abertura da 2.ª sessão do Conselho Coordenador do Ministério dos Transportes e Logística, segundo noticiou a Agência de Informação de Moçambique (AIM).

Perante os participantes, o governante defendeu uma mudança na forma como o país aproveita a sua posição geográfica privilegiada na África Austral. Para Matlombe, a existência de portos, caminhos-de-ferro e ligações rodoviárias aos mercados regionais deve produzir resultados que ultrapassem a simples movimentação de carga.

“Os corredores de Maputo, Beira e Nacala devem, por isso, ser entendidos como verdadeiros corredores de desenvolvimento económico, capazes de estimular a industrialização, dinamizar a agricultura, promover o desenvolvimento de zonas produtivas e aprofundar a integração regional”, afirmou.

A visão apresentada pelo ministro coloca a economia nacional no centro da estratégia de desenvolvimento logístico. O objectivo é fazer com que a modernização das infra-estruturas se traduza na instalação de unidades industriais, no crescimento dos serviços associados ao transporte e na abertura de novas oportunidades para as empresas moçambicanas.

Neste contexto, Matlombe insistiu que os investimentos realizados no sector devem produzir benefícios concretos para a população e para o tecido empresarial nacional.

“Devemos, igualmente, assegurar que os benefícios resultantes da modernização e da expansão das infra-estruturas se reflictam na economia moçambicana, através da participação das empresas nacionais, da criação de emprego, da transferência de competências e do desenvolvimento de cadeias de valor locais”, sublinhou.

Os portos de Maputo, Beira e Nacala ocupam uma posição central nesta estratégia. Articulados com as redes ferroviária e rodoviária e com os postos fronteiriços, constituem importantes portas de entrada e saída de mercadorias, tanto para Moçambique como para os países vizinhos sem acesso directo ao mar.

Contudo, o ministro advertiu que essa vantagem natural não é suficiente para garantir uma posição competitiva nos mercados regionais e internacionais.

Na sua perspectiva, a consolidação de Moçambique como plataforma logística de referência na África Austral depende de investimentos contínuos na modernização das infra-estruturas, da melhoria da eficiência operacional e da capacidade de oferecer serviços seguros, fiáveis e economicamente competitivos.

A redução dos custos de transporte e o reforço da coordenação entre os diferentes intervenientes da cadeia logística foram igualmente apontados como condições indispensáveis para alcançar esse propósito.

Reforma ferroviária e concessões estratégicas entre as prioridades

No domínio ferroviário, João Matlombe destacou a necessidade de concluir e aprovar o roteiro de implementação do novo quadro legal do sector, uma reforma destinada a permitir a entrada de mais operadores, estimular a concorrência e criar condições favoráveis à mobilização de investimento privado.

O governante considera que a abertura do sector poderá contribuir para melhorar a capacidade de resposta do sistema ferroviário às exigências crescentes do transporte de mercadorias e às necessidades de desenvolvimento económico.

Outra frente de intervenção identificada é a promoção de concessões estratégicas no sector logístico, com vista à modernização das infra-estruturas e ao reforço da capacidade operacional dos portos, caminhos-de-ferro e corredores de desenvolvimento.

Matlombe ressalvou, entretanto, que estes processos devem obedecer a princípios rigorosos de transparência e equilíbrio contratual, acompanhados de mecanismos eficazes de regulação e fiscalização.

A preocupação, explicou, é assegurar que a participação de operadores privados não comprometa o interesse público e que os investimentos realizados proporcionem benefícios efectivos à economia moçambicana.

A integração entre os diferentes meios de transporte constitui igualmente uma prioridade. O ministro defendeu uma articulação mais eficiente entre portos, caminhos-de-ferro, estradas e fronteiras, de modo a eliminar constrangimentos operacionais, reduzir o tempo de circulação das mercadorias e tornar os serviços logísticos mais previsíveis.

Para o governante, a competitividade dos corredores depende não apenas da qualidade individual de cada infra-estrutura, mas também da capacidade de funcionamento coordenado de todo o sistema.

Mais do que aumentar a quantidade de mercadorias movimentadas, a estratégia defendida por Matlombe procura ampliar o impacto económico das actividades logísticas nas regiões atravessadas pelos corredores.

Neste sentido, o ministro sustentou que a avaliação do desempenho destas infra-estruturas deve incorporar indicadores relacionados com a atracção de investimento, a criação de postos de trabalho, a formação de competências nacionais e o fortalecimento das cadeias de valor locais.

A mensagem central é que o potencial logístico de Moçambique só poderá traduzir-se em desenvolvimento sustentável se estiver directamente associado ao crescimento da produção nacional e à diversificação das actividades económicas.

“Não basta termos portos, caminhos-de-ferro e corredores de transporte. Precisamos de os transformar em motores de competitividade, industrialização, integração regional e desenvolvimento nacional”, concluiu.