O Projecto de Restauração da Gorongosa foi distinguido com o Prémio Mundial para a Conservação da Biodiversidade pela Fundação BBVA, numa cerimónia em Madrid, na Quarta-feira. O galardão reconhece a recuperação exemplar do Parque Nacional da Gorongosa, que, ao longo das últimas duas décadas, tem sido apontado como um modelo de conservação e desenvolvimento sustentável.
Durante a cerimónia, Rafael Pardo, Director da Fundação BBVA, sublinhou que os prémios prestam homenagem “aos líderes que dão voz e defendem os interesses de todas as espécies com quem partilhamos o planeta.” A Dra. Susana Carvalho, Directora do Programa de Paleo-Primatologia da Gorongosa, recebeu a distinção em nome da equipa, afirmando: “O nosso trabalho é guiado por uma crença simples, mas poderosa: que as pessoas e a natureza podem prosperar juntas.”
Criado em parceria entre o Governo de Moçambique e a Fundação Greg Carr, o projecto tem sido aclamado como “a maior restauração da vida selvagem da história” pela National Geographic. Desde 2004, foram reintroduzidas diversas espécies, protegidas por fiscais de fauna bravia, permitindo um crescimento exponencial das populações animais – de menos de 10 mil indivíduos para mais de 100 mil.
Para além da recuperação ecológica, o projecto aposta em programas de saúde, educação e desenvolvimento agrícola numa área de 600.000 hectares em redor do parque, conhecida como a “Zona de Desenvolvimento Sustentável”. A abordagem integrada foi determinante para o reconhecimento global do projecto, que é hoje considerado um exemplo para outros países africanos.
O trabalho científico realizado na Gorongosa tem também sido notável, com a documentação de cerca de 8.000 espécies, incluindo 200 desconhecidas até agora. “A Gorongosa é hoje um dos parques nacionais mais bem documentados em África em termos de biodiversidade”, destacou Marc Stalmans, Director Científico do projecto.
