Uma investigação conduzida pelo FBI e pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos voltou a colocar a Federação Argentina de Futebol (AFA) no centro das atenções. Em causa estão cerca de 300 milhões de dólares movimentados em território norte-americano, num conjunto de operações financeiras que as autoridades procuram determinar se poderão estar relacionadas com crimes de fraude e branqueamento de capitais.

Segundo revelou o jornal argentino La Nacion, citando fontes com conhecimento directo do processo, a investigação incide sobre diversas transferências efectuadas pela AFA, presidida por Claudio Tapia, através da TourProdEnter LLC, empresa dirigida por Javier Faroni, responsável pela mediação de contratos entre a federação e vários patrocinadores e parceiros comerciais.

Entre as operações sob escrutínio destacam-se 60 milhões de dólares provenientes da Adidas e outros 40 milhões de dólares da Warner. No total, a TourProdEnter LLC terá movimentado aproximadamente 260 milhões de dólares, o equivalente a cerca de 228 milhões de euros.

Contudo, as autoridades norte-americanas tentam igualmente esclarecer a origem e o propósito de outras transferências avaliadas em cerca de 57 milhões de dólares, aproximadamente 50 milhões de euros, realizadas entre a empresa e várias entidades, cujas motivações permanecem por explicar.

A investigação aponta ainda que os montantes circulavam através de contas bancárias abertas em várias instituições financeiras dos Estados Unidos, entre as quais o Citibank, Synovus, Bank of America, JP Morgan e PNC Bank.

Entretanto, os investigadores já ouviram uma das pessoas que denunciou as alegadas irregularidades. Na semana passada, o empresário Guillermo Tofoni reuniu-se com agentes do FBI e com autoridades fiscais norte-americanas para prestar informações relacionadas com o caso.

As diligências poderão ainda alargar-se ao plano político. As autoridades dos Estados Unidos não excluem a possibilidade de convocar para interrogatório antigos funcionários ligados ao Presidente argentino, Javier Milei, que possam ter tido envolvimento directo ou indirecto nas operações agora sob investigação.

As primeiras denúncias remontam a 2024, quando o Ministério da Segurança da Argentina alertou formalmente as autoridades norte-americanas para possíveis práticas ilícitas. Nessa altura, o FBI concluiu que não existiam elementos suficientes para avançar com uma investigação.

O cenário alterou-se este ano, depois de os investigadores terem obtido novos documentos bancários e recebido novas denúncias, circunstâncias que levaram as autoridades federais norte-americanas a reabrir o processo e aprofundar a investigação às movimentações financeiras da Federação Argentina de Futebol.