A ExxonMobil reafirmou o compromisso de integrar empresas moçambicanas nas oportunidades de negócio associadas ao projecto Rovuma LNG, garantindo que os fornecedores nacionais terão um papel activo à medida que o empreendimento avançar para a fase de implementação.

A garantia foi apresentada durante um encontro com empresários de Cabo Delgado, onde a multinacional destacou que, após a decisão final de investimento, prevista para este ano, serão organizados regularmente encontros com fornecedores para identificar capacidades locais e facilitar a participação das empresas moçambicanas na cadeia de fornecimento do projecto.

Segundo Lauren Glushik, representante da ExxonMobil, o desenvolvimento das empresas nacionais será um elemento determinante para o sucesso do Rovuma LNG, reforçando a aposta na criação de uma base sólida de fornecedores locais capazes de responder às exigências de um dos maiores investimentos energéticos do mundo.

O governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, considerou que esta estratégia representa uma oportunidade para impulsionar o desenvolvimento económico da província. O responsável assegurou que o Governo Provincial continuará a trabalhar com os diversos parceiros para criar um ambiente favorável ao investimento privado, à geração de emprego e ao crescimento económico inclusivo.

"O Conselho Executivo Provincial de Cabo Delgado reafirma o seu compromisso de continuar a trabalhar com todos os parceiros para promover um ambiente favorável ao desenvolvimento do sector privado, à criação de emprego e ao crescimento económico inclusivo da nossa província", afirmou Valige Tauabo.

Um dos maiores projectos energéticos de África

Moçambique dispõe de três grandes projectos aprovados para a exploração das vastas reservas de gás natural da Bacia do Rovuma, ao largo da costa de Cabo Delgado.

Actualmente, apenas o Coral Sul FLNG, liderado pela Eni, se encontra em produção, desde 2022. O projecto Coral Norte recebeu luz verde para avançar com um investimento estimado em 7,2 mil milhões de dólares, permitindo duplicar a produção de gás natural liquefeito a partir de 2028.

Entretanto, o Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, retomou oficialmente o seu desenvolvimento após quatro anos de suspensão motivada pela instabilidade na região. Avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares, prevê iniciar a produção em 2029.

O terceiro grande empreendimento é o Rovuma LNG, da Área 4, liderado pela ExxonMobil. Orçado em aproximadamente 30 mil milhões de dólares, o projecto deverá produzir cerca de 18 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano após 2030, sendo considerado um dos maiores investimentos privados alguma vez realizados em África.

O Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou recentemente confiança no avanço do projecto, afirmando que decorrem negociações positivas com a ExxonMobil.

"Estamos a dar bons passos com a Exxon. Estamos a trabalhar para que, se tudo correr bem, até Setembro deste ano possamos assinar a decisão final de investimento. Estamos a falar do maior projecto de investimento privado do continente africano", declarou o Chefe do Estado.

Caso a decisão final de investimento seja confirmada nos próximos meses, o Rovuma LNG entrará numa nova fase de execução, abrindo oportunidades para centenas de empresas nacionais e reforçando o papel do gás natural como um dos principais motores do crescimento económico de Moçambique.