Maputo, Moçambique – A polícia moçambicana anunciou a detenção de dois homens, suspeitos de integrarem um grupo que planeava raptar um empresário na capital, Maputo. A operação policial, que ocorreu na quinta-feira, dia 9 de Novembro, por volta das 12:00, desvendou um esquema mais amplo, incluindo uma lista de futuras vítimas.

Hilário Lole, porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) em Maputo, revelou que a detenção aconteceu na baixa da cidade, quando o grupo, composto por seis indivíduos, quatro moçambicanos e dois sul-africanos, se preparava para executar o rapto de um empresário de origem indiana.

Entre os detidos, encontram-se um homem de 59 anos e o seu filho de 28, sendo que um deles estava em liberdade condicional, após condenação em 2012 por crime semelhante. A polícia conseguiu apreender duas viaturas e imagens de várias vítimas potenciais, além de informações sobre raptos passados e planeados.

Esta operação surge num contexto de crescente preocupação com o fenómeno de raptos em Moçambique, particularmente em cidades como Maputo. O Sernic está a intensificar esforços para proteger o empresário visado e a sua família, e espera que estas detenções contribuam para uma diminuição temporária destes crimes.

Recentemente, a polícia moçambicana reportou um incidente envolvendo o empresário Juneide Lalgy, que foi perseguido por desconhecidos na cidade da Matola, conseguindo escapar. Este caso, juntamente com o rapto de uma jovem luso-moçambicana há 13 dias, sublinha a gravidade da situação.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português confirmou estar a acompanhar o caso da jovem raptada, em colaboração com as autoridades locais. Paralelamente, o Sernic reforça a sua determinação em combater este tipo de crime, com a criação de uma unidade especializada, cujos agentes já foram seleccionados, conforme anunciado pelo Primeiro-Ministro Adriano Maleiane.

Desde 2021, registaram-se em Moçambique 28 casos de rapto, dos quais 15 foram esclarecidos, segundo dados do Governo. A criação desta unidade especializada, apoiada por parceiros de cooperação, é um passo significativo na luta contra este tipo de criminalidade que tem vindo a assolar o país, especialmente nas suas principais cidades.