O Instituto Camões, de Portugal, aprovou recentemente o financiamento de um projecto em Moçambique, conduzido pela ONGD Helpo, que visa oferecer apoio individualizado a estudantes de três escolas secundárias situadas no distrito de Metuge, em Cabo Delgado, uma região significativamente afectada pelo deslocamento populacional devido aos ataques terroristas recentes.
Carlos Almeida, coordenador nacional da Helpo, expressou a urgência em facilitar o acesso à educação para os estudantes da região, focando não apenas os que já estão a frequentar a escola, mas também aqueles que, por várias razões, abandonaram os estudos nos últimos dois anos. O objectivo principal é reengajá-los no processo educacional.
Almeida destacou a gravidade da situação em Metuge, um distrito que, apesar de ser o segundo com maior número de pessoas deslocadas, conta apenas com três escolas secundárias, o que cria substanciais barreiras ao acesso à educação secundária. Ele mencionou ainda que o projecto surge para beneficiar tanto os deslocados quanto as comunidades anfitriãs que têm contribuído enormemente para ajudar os deslocados.
Este projecto promissor, intitulado "Educação Relevante em Emergência", conta com um orçamento de 288.545 euros e tem como objectivo promover a conclusão positiva do ciclo de ensino secundário, além de fomentar uma atmosfera de respeito mútuo e harmonia entre os alunos deslocados e residentes em Cabo Delgado. O Camões - Instituto da Cooperação e da Língua aprovou um financiamento que cobre 85% dos custos, beneficiando cerca de 4.743 alunos das escolas da região.
A violência armada no norte de Moçambique deslocou aproximadamente 188.852 famílias, o que representa mais de 773 mil pessoas, de acordo com um relatório divulgado pelo Conselho Executivo da Província de Cabo Delgado. A boa notícia é que muitos já começaram a retornar às suas áreas de origem.
Com uma reputação já estabelecida, a Helpo já entregou 99 salas de aula ao Ministério da Educação, distribuídas entre Cabo Delgado e Nampula, um esforço que tem sido amplamente reconhecido pelas autoridades locais. Ivaldo Quincardete, Director Provincial de Educação em Cabo Delgado, sublinhou o positivo e substancial impacto que estas iniciativas estão a ter na região.
Carlos Almeida explicou que o novo projecto, que tem início marcado para 1 de Janeiro de 2024, com uma duração de dois anos, vai focar-se em fornecer apoio individualizado aos alunos, atendendo às necessidades específicas de cada um. Alguns enfrentam dificuldades financeiras que impedem a compra de uniformes ou a garantia de alimentação adequada, enquanto outros necessitam de alojamento ou meios de transporte como bicicletas para chegarem à escola.
O projecto também visa quebrar barreiras sociais, promovendo a integração e a igualdade entre os alunos deslocados e os residentes, evitando a estigmatização e encorajando a união e a resiliência comunitária. Além disso, proporcionará orientação vocacional para os estudantes do ensino secundário, auxiliando-os no processo de candidatura a universidades e escolhendo áreas de estudo apropriadas.
Almeida concluiu expressando a importância da eficaz utilização dos fundos fornecidos pelo Camões, reiterando o compromisso contínuo de Portugal em assistir a situação em Cabo Delgado, buscando garantir que os alunos tenham as oportunidades necessárias para prosseguir os seus estudos e alcançar um futuro promissor.
