Na província da Zambézia, com mais de seis milhões de habitantes, regista-se uma preocupante falta de médicos especialistas, havendo apenas 16 desses profissionais moçambicanos para responder às necessidades de saúde da segunda maior província do país. Este número é considerado insuficiente face aos desafios sanitários que a região enfrenta, incluindo problemas graves como a falta de serviços de hemodiálise, radioterapia e oncologia.
A situação foi destacada num jantar de gala em honra ao Dia do Médico Moçambicano, onde Denise Chatima, ao ler a mensagem dos médicos, questionou a adequação deste número de especialistas para uma população tão vasta. Napoleão Viola, presidente da Associação Médica de Moçambique, destacou a urgência de aumentar o número de médicos especializados, citando um relatório da Organização Mundial da Saúde que coloca Moçambique em estado de emergência quanto à disponibilidade de pessoal de saúde.
O panorama é agravado pela morosidade no pagamento de horas extraordinárias e pela incerteza quanto à contratação de novos médicos, visto que, apesar de o país formar mais de 300 médicos anualmente, menos de 30 estão previstos para ser contratados este ano em todo o território nacional. Gilberto Manhiça, bastonário da Ordem dos Médicos de Moçambique, apelou ao respeito e à dignidade na profissão, criticando práticas desonestas e exigindo melhorias nas condições de trabalho para os médicos.
A secretária de Estado na Zambézia, Cristina Mafumo, tentou tranquilizar os profissionais, indicando que o Programa Quinquenal do Governo inclui planos para a contratação de mais recursos humanos qualificados para o sector da saúde. No entanto, persistem desafios significativos que exigem uma resposta mais robusta e imediata para evitar que a saúde da população continue comprometida.
