O Parque Nacional de Chimanimani, na província de Manica, prepara-se para reforçar a vigilância sobre as suas manadas de elefantes, através da colocação de novos colares de monitoria. A operação, prevista para os próximos dias, pretende acompanhar os movimentos dos animais, reduzir os conflitos entre seres humanos e elefantes e fortalecer o combate à caça furtiva naquela área de conservação.

A iniciativa surge numa altura em que a população de elefantes apresenta uma tendência de crescimento no parque. De acordo com o administrador da área de conservação, Leonel Macicame, a introdução dos dispositivos será feita de forma gradual, permitindo ampliar a capacidade de acompanhamento dos animais.

Nesta fase, serão colocados cinco novos colares, que se juntarão aos três já existentes, elevando para oito o número de dispositivos utilizados na monitoria dos elefantes.

“Neste momento vamos ter mais cinco colares, que vão se adicionar a três que já temos, vão ficar oito colares. Este é um número bom para aquilo que é a nossa área de conservação. O último censo que foi feito, e os dados foram publicados no ano passado, estamos a contar com 101 elefantes”, explicou Macicame.

Para além da monitoria das manadas, a administração do parque aponta progressos no combate à caça furtiva, uma das ameaças à preservação da fauna bravia. Segundo Leonel Macicame, esta prática registou uma redução de 90 por cento, resultado atribuído, sobretudo, ao trabalho de sensibilização e envolvimento das comunidades residentes nas zonas circunvizinhas.

O responsável considera que a protecção dos recursos naturais não depende exclusivamente da presença de fiscais, investigadores ou equipamentos de vigilância. Na sua perspectiva, a participação das populações locais constitui um elemento indispensável para garantir resultados duradouros.

“Nós podemos fazer tudo, podemos ter melhores fiscais, melhores pesquisadores, podemos ter melhor staff técnico, podemos ter melhores operários, mas se a comunidade ao redor não entende e não está engajada naquilo que nós estamos a fazer, tudo isto é multiplicado por zero. E nós sabemos que qualquer número, quando é multiplicado por zero, não altera. E o que nós fizemos foi, de antemão, entender que temos que adicionar as comunidades locais”, sublinhou.

A estratégia de conservação assenta, assim, numa combinação entre o reforço dos mecanismos de vigilância e a aproximação às comunidades, procurando assegurar que a protecção da biodiversidade seja acompanhada por uma maior participação das populações na preservação do património natural.

Entretanto, os esforços da administração do Parque Nacional de Chimanimani não se limitam ao combate à caça furtiva. Leonel Macicame revelou que decorrem, em paralelo, acções destinadas a travar a mineração ilegal no interior da área protegida.

Com a introdução dos novos colares e o reforço das iniciativas de sensibilização comunitária, o parque procura consolidar os avanços alcançados na protecção da fauna e enfrentar as actividades humanas que continuam a representar desafios à conservação dos seus ecossistemas.