A Google, pertencente ao grupo Alphabet, foi alvo, esta terça-feira, de uma queixa formal por práticas anti concorrenciais apresentada junto da União Europeia pelo European Publishers Council (EPC). Em causa estão os resumos gerados por inteligência artificial, conhecidos como AI Overviews, cuja utilização poderá vir a reforçar uma investigação já em curso por parte de Bruxelas.
Concorrentes do sector tecnológico têm alertado que o domínio das grandes plataformas nas novas tecnologias poderá afastar outros intervenientes do mercado, enquanto os editores acusam os gigantes digitais de recorrerem aos seus conteúdos jornalísticos sem qualquer compensação financeira.
“Trata-se de travar um gatekeeper dominante que usa o seu poder de mercado para apropriar-se dos conteúdos dos editores sem consentimento, sem remuneração justa e sem oferecer qualquer forma realista de proteger o jornalismo”, afirmou Christian Van Thillo, presidente do EPC, em comunicado.
Segundo o responsável, “os AI Overviews e o AI Mode minam de forma fundamental o pacto económico que tem sustentado a web aberta”.
A Google reagiu de imediato às acusações. Um porta-voz da empresa classificou-as como “inexactas” e considerou que representam “uma tentativa de travar novas funcionalidades de IA úteis, que os europeus desejam”. Acrescentou ainda que a empresa concebe estas ferramentas “para destacar conteúdos de qualidade na web” e disponibiliza “controlos simples” para que os editores façam a gestão dos seus conteúdos.
A tecnológica admite estar a rever os seus mecanismos técnicos para permitir que os sites optem por não integrar funcionalidades de IA generativa na pesquisa. Os editores, contudo, sustentam que essa opção não oferece protecção efectiva, uma vez que a exclusão poderá resultar numa perda significativa de visibilidade nos resultados de pesquisa.
O EPC argumenta que a Google recorre ao controlo que exerce sobre a pesquisa online para garantir acesso gratuito a conteúdos editoriais, numa linha de preocupação já manifestada pelas autoridades europeias da concorrência.
Na declaração que marcou o início da investigação, em Dezembro, a European Commission afirmou que a Google poderá estar a abusar da sua posição dominante enquanto motor de busca, impondo condições comerciais injustas aos editores.
