Num ambiente de expectativa moderada, Moçambique assistiu recentemente à redução da taxa de juro de política monetária, a taxa MIMO, de 16,50% para 15,75%, anunciada pelo Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela. Esta medida, sustentada pela consolidação das perspectivas de inflação a um dígito no médio prazo, num cenário de riscos e incertezas considerados favoráveis, é vista com optimismo cauteloso por especialistas económicos.

O economista Pedro Langa, em declarações ao programa “O País Económico” da Stv Notícias, reconheceu o gesto como positivo, mas manifestou cepticismo quanto à sua eficácia em estimular a concessão de crédito às famílias e empresas. Segundo Langa, a persistência de reservas obrigatórias elevadas para os bancos comerciais poderia amortecer o impacto esperado desta redução.

Um Duplo Desafio
O panorama actual do crédito em Moçambique é complexo. Dados do Banco de Moçambique indicam uma redução na concessão de crédito a empresas e famílias desde 2022, em parte devido à cautela dos bancos face aos riscos de incumprimento. Este cenário é agravado por atrasos em pagamentos por parte de devedores, instigando as instituições financeiras a uma abordagem conservadora.

A par desta questão, Moçambique enfrenta o desafio do endividamento público interno, que se mantém elevado, atingindo os 344 mil milhões de meticais, excluindo certas obrigações. Esta situação coloca uma pressão adicional sobre a estratégia de redução da taxa de juro, com os bancos a preferirem investir em bilhetes de tesouro em detrimento do crédito ao sector privado.

Estratégias de Combate ao Branqueamento de Capitais
No que diz respeito à integridade financeira, Moçambique implementou medidas de controlo no combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo. A venda de viaturas e imóveis envolvendo valores superiores a 250 mil meticais deve agora ser comunicada ao Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFIM). Esta medida visa monitorizar transacções de alto risco e identificar potenciais fontes de rendimento ilícito.

Pedro Langa avaliou esta iniciativa como razoável, tendo em conta o rendimento médio dos cidadãos, e destacou-a como uma ferramenta eficaz no esforço de controlo e prevenção do branqueamento de capitais. No entanto, o economista alertou para os desafios contínuos impostos pela economia demasiado informal do país e pela sua localização estratégica.

Entre Esperança e Realismo
As medidas económicas e regulamentares recentes em Moçambique geram uma mistura de esperança e realismo. Enquanto a redução da taxa de juro reflecte um esforço para estimular o crescimento económico, a eficácia plena desta estratégia depende de ajustes complementares nas políticas financeiras e de uma abordagem mais agressiva no combate ao branqueamento de capitais. A economia moçambicana navega assim num mar de desafios, onde a cautela e a inovação regulamentar se apresentam como faróis orientadores.