Hollywood já nos apresentou filmes que recorrem ao chamado loop temporal, estratégia narrativa em que um determinado período de tempo, que podem ser algumas horas ou alguns dias, se repete várias vezes. Quando o tempo se reinicia, restabelecem-se as memórias da maioria dos personagens, que se comportam como se não soubessem que os eventos se estão a repetir. O enredo pode ter um ou mais personagens centrais que se tornam conscientes da repetição, mas, à medida que a história prossegue e tentam modificar o curso dos acontecimentos, os efeitos podem ser irreversíveis, o que não acontece na curta-metragem “Dois perfeitos estranhos”.
O rapper Joey Bada$$ interpreta Carter James, um cartoonista afro-americano que acorda na cama de uma mulher desconhecida, com a qual se envolveu, pretendendo regressar a casa para ir passear o seu cão. No entanto, à saída do apartamento e após um mal-entendido, um polícia interpela-o e age agressivamente, acabando por matá-lo. Após a sua morte, Carter acorda novamente preso à mesma manhã e, não importa o que faça, acontece-lhe sempre o o mesmo. A situação vai-se repetindo sucessivamente, embora o seu assassinato ocorra de formas diferentes. À medida que o protagonista vai procurando formas alternativas de sobreviver, esta forte curta-metragem vai alcançando a sua lógica.
Dirigida por Travon Free e Martin Desmond Roe, a película venceu o Óscar para Melhor Curta-Metragem na gala de 2021 e pode ser vista na plataforma de streaming da Netflix.
Com uma duração de apenas pouco mais de 30 minutos, o filme boa “Dois perfeitos estranhos” é verdadeiramente impactante, transmitindo uma forte mensagem de crítica social contra o racismo, com alusões a situações verídicas de violência policial e outros crimes de teor racial ocorridos nos Estados Unidos da América. O tema é verdadeiramente actual e a história é apresentada com grande qualidade técnica, razão pela qual o recomendamos.
