Chegou o momento que milhões de portugueses sabiam que um dia aconteceria, mas que poucos desejavam enfrentar. Cristiano Ronaldo anunciou, esta quinta-feira, 5 de Novembro, o fim da sua histórica caminhada ao serviço da Selecção Nacional portuguesa, colocando um ponto final em 23 anos de dedicação, conquistas e recordes que marcaram uma geração inteira.
Aos 41 anos, o capitão português escolheu as redes sociais para comunicar uma das decisões mais marcantes da sua carreira. Não esperou pela divulgação da convocatória de Jorge Jesus, prevista para sexta-feira, e antecipou-se com uma despedida carregada de emoção, gratidão e orgulho nacional.

O anúncio surgiu através de um vídeo com cerca de cinco minutos, acompanhado pela voz de Dulce Pontes, ao som de O Amor a Portugal. Numa mensagem dirigida aos portugueses, Ronaldo revisitou as memórias de uma ligação que ultrapassou os limites do futebol e se transformou num dos maiores símbolos da identidade desportiva portuguesa.
Os números ajudam a compreender a dimensão do legado: 234 internacionalizações, 146 golos e três troféus conquistados com a camisola das quinas. Entre eles, o Campeonato da Europa de 2016, a primeira grande conquista internacional de Portugal, e as Ligas das Nações de 2019 e 2025.

A aventura começara em Agosto de 2003, quando um jovem madeirense dava os primeiros passos numa equipa que, ao longo das duas décadas seguintes, ajudaria a colocar entre as grandes potências do futebol mundial.
Agora, é esse mesmo jogador que decide entregar a camisola número 7 às gerações seguintes.
Na mensagem de despedida, Cristiano Ronaldo reconheceu a dificuldade da decisão, recordou os momentos de glória e sofrimento, agradeceu aos companheiros, treinadores, profissionais que o acompanharam e à família, reservando palavras particularmente emotivas para os portugueses espalhados pelo mundo.
Mais do que os títulos e os recordes, o avançado destacou a ligação humana construída através do futebol: a alegria de milhões de adeptos, os abraços provocados pelos seus golos e o sentimento de união vivido sempre que o hino nacional ecoava nos estádios.
O capitão sublinhou igualmente que nenhuma carreira se constrói sem sacrifícios, erros ou derrotas, garantindo que, mesmo nos momentos mais difíceis, nunca deixou de sentir orgulho em representar Portugal.
A despedida surge depois de semanas de tensão em torno da sua continuidade na equipa nacional, na sequência do afastamento do estágio e das divergências públicas com o seleccionador Jorge Jesus. Em Outubro, Ronaldo ainda manifestara disponibilidade para voltar a competir pela Selecção. A decisão agora anunciada encerra essa possibilidade enquanto jogador.
No entanto, a mensagem não se limitou a olhar para o passado. Cristiano Ronaldo deixou também um apelo ao futuro, defendendo que Portugal deve continuar a acreditar nos jovens talentos e na capacidade de formar novas gerações de jogadores capazes de alcançar feitos históricos.
O homem que durante mais de duas décadas carregou a responsabilidade de liderar Portugal dentro das quatro linhas despede-se convencido de que o maior triunfo da sua carreira não se mede apenas pelos troféus conquistados, mas pelo privilégio de ter representado o seu país.
A camisola número 7 terá agora um novo dono. A história que Cristiano Ronaldo escreveu com ela permanecerá como uma das páginas mais marcantes do futebol português.
A mensagem de despedida
No comunicado divulgado nas redes sociais, Cristiano Ronaldo dirigiu-se directamente aos portugueses, deixando uma reflexão sobre os 23 anos que passou ao serviço da equipa nacional.
A declaração começou com o reconhecimento de que chegara o momento de devolver a camisola que o acompanhou durante praticamente toda a sua carreira internacional: «Aos portugueses, chegou o dia de devolver a camisola 7 da seleção de todos nós. Nunca a senti como exclusivamente minha. Mas durante 23 anos tive o privilégio e a responsabilidade de a vestir, de a defender e de a levar comigo para estádios no mundo inteiro.»
O internacional português explicou que a decisão não foi tomada de forma precipitada, reconhecendo o peso emocional de abandonar uma missão à qual dedicou grande parte da sua vida.
Ao recordar o percurso iniciado em 2003, destacou sobretudo as pessoas que encontrou e aquelas que, mesmo à distância, acompanharam as suas conquistas. Falou dos emigrantes portugueses que encontravam na Selecção uma ligação à terra natal, das famílias que celebraram os seus golos e dos adeptos que partilharam momentos de alegria e sofrimento.
Ronaldo reconheceu igualmente que a sua caminhada não foi feita apenas de vitórias. Houve derrotas dolorosas, oportunidades desperdiçadas e momentos em que não conseguiu corresponder às expectativas, mas garantiu ter dado sempre tudo pela camisola nacional.
Aos companheiros de equipa, deixou palavras de agradecimento pela confiança, pelas batalhas partilhadas e pelas conquistas alcançadas em conjunto. Estendeu o reconhecimento aos treinadores, dirigentes, médicos, fisioterapeutas, roupeiros e restantes profissionais que trabalharam nos bastidores ao longo das últimas duas décadas.
A família mereceu também uma homenagem especial, sobretudo pelos sacrifícios e ausências impostos pelas exigências da carreira.
Num dos momentos mais emocionantes da declaração, o antigo capitão evocou o instante em que o hino nacional começa a tocar antes dos jogos, descrevendo-o como uma experiência capaz de unir portugueses de diferentes origens, gerações e condições sociais.
E foi com uma promessa de fidelidade ao país que encerrou a mensagem: apesar de abandonar os relvados internacionais, continuará a acompanhar, apoiar e celebrar as vitórias da Selecção Nacional.
«A camisola 7 fica, o orgulho de a ter vestido será meu para sempre. Portugal estará sempre em mim.
Até sempre. Cristiano Ronaldo.»
Com esta despedida, encerra-se um dos capítulos mais extraordinários da história do desporto português. O jovem que saiu da Madeira com o sonho de conquistar o mundo despede-se da Selecção como recordista mundial masculino de internacionalizações e golos, deixando uma herança que continuará a inspirar gerações.
