A empresa Moçambique Expresso (Mex), conhecida por operar voos domésticos e regionais, anunciou a suspensão total das suas operações a partir do dia 31 de Agosto, segundo foi revelado por fontes internas. Esta decisão surge em meio a desentendimentos com a LAM, empresa estatal da qual é subsidiária.
A direcção da Mex, numa reunião realizada no dia 30 de Agosto, deliberou pela paralisação das suas actividades, uma decisão que foi comunicada oficialmente pela administração da empresa aérea, sob a liderança do director-geral, Faustino Massitela.
A Mex, que possui uma frota de três aeronaves do tipo Embraer 145, tem prestado serviços significativos à LAM, que actualmente enfrenta graves problemas financeiros. Em Abril, o governo decidiu colocar a LAM sob a administração da sul-africana Fly Modern Ark (FMA).
Além de fornecer aeronaves de médio porte para a LAM, a Mex também oferece assistência em terra e vários outros serviços. No entanto, a empresa tem enfrentado dificuldades financeiras, recebendo apenas uma quantia que cobre parcialmente os salários dos seus funcionários.
A falta de repasse de valores adequados à Mex tem criado uma situação de falta de liquidez, comprometendo a sua capacidade de honrar compromissos com fornecedores e colocando a empresa em risco de encerrar as suas operações.
Desde o início de Junho, foi notada uma redução significativa na utilização da frota da Mex pela LAM, uma situação que compromete a capacidade da Mex de gerar receitas suficientes para cobrir os seus custos, além de levar à subutilização dos recursos financeiros disponíveis.
A Mex tem acumulado dívidas com fornecedores cruciais para a continuidade das suas operações, incluindo empresas como a Rolls-Royce, a Embraer e a American General Supplies. A situação financeira precária tem levado a um acumular de dívidas, uma das quais é uma dívida significativa com a Embraer, relacionada com a aquisição da frota ERJ145.
A direcção da Mex tem procurado resolver esta situação, propondo um pagamento parcial da dívida à Embraer. No entanto, sem uma resolução para esta dívida, a Mex fica impedida de receber ou solicitar qualquer serviço ou apoio técnico da Embraer.
Entretanto, a Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) tem mostrado sinais de recuperação, com uma redução significativa da sua dívida desde Abril. A administração da Fly Modern Ark revelou que a empresa conseguiu reduzir a sua dívida em 57 milhões de euros, um resultado de práticas contabilísticas correctas e conformidade com normas internacionais.
Sérgio Matos, representante da FMA, destacou que a LAM está em negociações com a Boeing para o reembolso de uma quantia significativa, relacionada com o pré-pagamento de uma nova aeronave que não foi entregue à transportadora moçambicana.
Nos últimos meses, a LAM registou um aumento de 24% no número de passageiros transportados e um crescimento de 10% nas receitas de voos. Apesar de ter saído da insolvência, a empresa ainda necessita de mais aeronaves para garantir uma operação que permita a liquidação da sua elevada dívida e a geração de lucros.
A FMA afirmou que conseguiu fazer com que a LAM cumprisse os requisitos de manutenção da sua frota, impostos por regulamentos internacionais, e contivesse os custos associados a este serviço.
