Nos últimos 15 dias, a província de Nampula, no norte de Moçambique, registou um aumento preocupante de 250 casos de cólera, informaram hoje as autoridades de saúde. Este aumento elevou o número acumulado de infecções nesta região para 3.186 pessoas desde o início do surto, incluindo três óbitos adicionais.
Apesar deste aumento, o vice-ministro da Saúde de Moçambique, Ilesh Jani, assegurou que a epidemia em Nampula está sob controlo. Equipas multissectoriais estão em acção na cidade de Nampula, capital da província, trabalhando arduamente para prevenir novos focos.
O surto de cólera em Moçambique continua a ser motivo de atenção, com um acumulado de 33.862 casos desde 14 de Setembro de 2022. No entanto, as autoridades de saúde garantem que a maioria dos distritos já está livre do surto. A taxa de letalidade nacional da doença é de 0,4%, com 23 pessoas ainda internadas em várias unidades de saúde.
Recentemente, foram declarados surtos de cólera em mais dois distritos, Mocímboa da Praia e Mueda, na província de Cabo Delgado. Em Cabo Delgado, registaram-se 1.238 casos, com três mortos, desde Setembro do ano passado.
O director-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Ghebreyesus, elogiou os esforços do governo moçambicano e do Presidente Filipe Nyusi no combate à epidemia de cólera, que foi agravada pelo impacto do ciclone Freddy.
Moçambique, um dos países mais afectados pelas alterações climáticas no mundo, enfrenta desafios na resistência das infra-estruturas e serviços de prevenção da doença. A cólera, que provoca diarreias severas, é tratável mas pode ser fatal se não for prontamente combatida.
O país enfrenta ainda o desafio da falta de redes de saneamento, o que leva à contaminação de alimentos e água. Em Maio, a OMS alertou para um défice de vacinas contra a cólera até 2025, sendo que cerca de um bilião de pessoas em 43 países podem estar em risco de infecção.
