O crédito bancário destinado à habitação em Moçambique voltou a perder terreno em Julho, descendo para o nível mais baixo em pelo menos um ano. Num único mês, o financiamento concedido para este segmento contraiu 4,1%, fixando-se em 7,189 mil milhões de meticais (98 milhões de euros), segundo dados do Banco de Moçambique.

O mais recente relatório estatístico do banco central mostra que o stock de crédito à habitação recuou face aos 7,495 mil milhões de meticais (102 milhões de euros) registados em Junho. Quando comparado com Julho de 2025, período em que atingia 8,393 mil milhões de meticais (114 milhões de euros), a quebra é ainda mais acentuada: 14,3%.

Os números confirmam o reduzido peso que o financiamento habitacional continua a ter no sistema bancário moçambicano. Em Julho, este tipo de crédito representava apenas 2,5% dos 291,666 mil milhões de meticais (3,963 mil milhões de euros) concedidos pelos bancos à economia.

A contracção acontece num período marcado pela descida gradual das taxas de juro ao longo dos últimos dois anos. Ainda assim, o custo do dinheiro permanece elevado, sobretudo quando estão em causa empréstimos de longo prazo, como acontece normalmente na aquisição de habitação.

Segundo o Banco de Moçambique, a taxa média aplicada aos empréstimos com prazo de um ano situou-se em 21,27% em Julho, abaixo dos 23,04% registados no mesmo mês de 2025.

Para as famílias que procuram financiamento bancário para comprar casa, as condições continuam igualmente exigentes. Os produtos de crédito à habitação disponibilizados pelos bancos comerciais requerem garantias significativas, entre as quais a hipoteca do imóvel e a contratação obrigatória de seguros.

Dependendo da instituição financeira, o montante financiado encontra-se, em regra, limitado a entre 80% e 90% do valor de aquisição ou da avaliação do imóvel.

Dados anteriores da Housing Finance Information Network ajudam a dimensionar a reduzida expressão deste mercado no país. O crédito hipotecário em Moçambique representa menos de 1% do Produto Interno Bruto (PIB), uma proporção baixa em termos internacionais e que reflecte as dificuldades de acesso ao financiamento formal para aquisição de habitação.

A evolução do crédito ocorre igualmente num contexto de redução da principal taxa de referência utilizada pelo sistema bancário. A taxa prime permaneceu em Outubro nos 15,5%, pelo sexto mês consecutivo, depois de três reduções anteriores ao longo deste ano, segundo informação anteriormente divulgada pela Associação Moçambicana de Bancos (AMB).

Desde Janeiro de 2024, a taxa de referência tem seguido uma trajectória descendente, depois de permanecer durante seis meses consecutivos num máximo de 24,1%.

Em Janeiro deste ano, a AMB reduziu a prime rate em 10 pontos base, para 15,70%. A taxa permaneceu inalterada em Fevereiro, apesar de o Banco de Moçambique ter decidido, nesse período, reduzir a sua taxa de política monetária.

Novos cortes de 10 pontos base foram aplicados em Março e Abril, levando a taxa de referência bancária aos actuais 15,5%, nível em que permanece estabilizada desde Maio.

As oscilações da prime rate estão associadas à taxa de juro de política monetária — a taxa MIMO — definida pelo Banco de Moçambique e que integra a fórmula de cálculo da taxa de referência utilizada pelos bancos comerciais. A taxa MIMO constitui um dos principais instrumentos do banco central para influenciar as condições monetárias e controlar a inflação.

Em Setembro, o Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária em 9,25%.

Fonte: Lusa