Maputo acolheu, no dia 11 de Setembro de 2025, a terceira edição do COMARP Fórum — Fórum de Comunicação, Marketing e Relações Públicas — que se tem afirmado como o maior encontro moçambicano do sector. Realizado no Hotel Glória, o evento reuniu especialistas, decisores políticos, académicos e jovens talentos para debater e mapear o futuro da comunicação e do marketing digital no país e na região.

Sob o lema “Transformação Digital e as Novas Fronteiras da Comunicação e Marketing”, o fórum mostrou como as tecnologias emergentes — redes digitais, inteligência artificial e Big Data — podem impulsionar o desenvolvimento económico, social e cultural de Moçambique. O ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, representado por Lourino Chemane, destacou que a transformação digital vai além da tecnologia e traduz-se numa mudança de mentalidade. Foi sublinhada a importância de actuações éticas e inclusivas, indispensáveis para modernizar organizações e expandir mercados. O fundador do fórum, Edson Rufai, chamou a atenção para a actual realidade da conectividade em Moçambique: apenas cerca de 20% da população tem acesso à internet, mas o crescimento anual de quase 200 mil novos utilizadores abre uma via promissora para a inclusão digital.

A presidente da Confederação Africana de Marketing (ACM), Helen McIntee-Carlisle, afirmou que “a comunicação é a chave para desbloquear o potencial de África” e sublinhou que a economia digital africana poderá atingir 712 mil milhões de dólares até 2050. Na sua intervenção, defendeu a comunicação como instrumento para construir confiança, moldar percepções e inspirar acções, sempre associada a estratégias de marketing bem estruturadas. Considerou ainda essencial que África, em vez de celebrar apenas sucessos isolados, avance para a construção de uma marca colectiva africana, alicerçada em inovação, resiliência e sustentabilidade.

O programa trouxe intervenções de renome em torno de temas como “Media intelligence na era da transformação digital”, “Marketing humanizado”, “Marketing 5.0”, “ESG e marketing sustentável” ou “Comunicação governamental na era da IA”. Entre os oradores destacaram-se Filipe Manuel Pereira, Lúcia Brito, Ayaz Hassam, Marlene Chambule, Cláudia Manjate, Vasco Rocha, Sérgio Jeremias Langa, Tiago Fonseca, Emília Jubileu Moiane e Sylla Faruk. As sessões plenárias dividiram-se em dois grandes eixos. O primeiro, sobre o impacto da inteligência artificial e do Big Data na comunicação, abordou resistências culturais, diplomacia das marcas, gestão de crise e comunicação governamental. O segundo, centrado nos negócios digitais e no futuro da inovação no marketing, englobou o marketing local (BAZARKETING 2.0), o marketing tecnológico (5.0), a sustentabilidade via ESG, a inovação empresarial e a humanização das estratégias.
Além dos debates, o evento proporcionou espaços de networking, uma zona expo-lounge e momentos dedicados a estudantes e profissionais em início de carreira, consolidando-se como palco de inspiração e novas oportunidades. Foi igualmente realizado o pré-lançamento da ACM – Associação Moçambicana de Comunicação e Marketing, criada para unir profissionais do sector e valorizar o impacto da comunicação, do marketing e das relações públicas no desenvolvimento do país. A nova associação nasce como plataforma de representação, colaboração e promoção da classe, dando voz a um sector cada vez mais determinante para a economia e para a sociedade. No mesmo contexto, foi também apresentado o livro “O Poder Integrado da Comunicação”, uma colectânea de experiências e reflexões de profissionais da área, que regista boas práticas e procura inspirar as novas gerações de comunicadores e marketeers.

Nesta edição, o fórum contou ainda com os COMARP Awards 2025, que distinguiram projectos, empresas e profissionais em diferentes categorias. Foram entregues prémios corporativos e individuais, reconhecendo iniciativas de comunicação, marketing e relações públicas que marcaram o último ano e inspiraram o sector a elevar os seus padrões de excelência.

O COMARP Fórum 2025 representou um ponto de inflexão para a comunicação em Moçambique. Ao colocar a transformação digital no centro do debate, lançou um apelo claro à adopção de práticas mais inovadoras, éticas e inclusivas. A presença de lideranças regionais como a CAM acrescentou perspectiva continental, relacionando o avanço tecnológico à construção de uma marca africana forte. O fórum deixou ao país um legado ambicioso: transformar a comunicação e o marketing numa alavanca estratégica para o progresso. Moçambique olhou para o futuro digital com esperança e tem agora o desafio de consolidar esse caminho, envolvendo empresas, instituições e cidadãos na construção de um projecto colectivo.