Numa convergência inédita entre tradição milenar e inovação tecnológica, a China apresentou o primeiro multibanco capaz de derreter ouro e convertê-lo automaticamente em dinheiro. A máquina, actualmente em funcionamento em Xangai, foi desenvolvida pelo grupo Kinghood e já desperta a atenção de investidores, curiosos e pequenos detentores de ouro.
Este equipamento — descrito por muitos como um “multibanco de ouro” — aceita peças com um mínimo de 3 gramas e pureza igual ou superior a 50%. Uma vez inserido o ouro, a máquina eleva a temperatura a cerca de 1.200 °C para derreter o metal, analisa a sua composição através de espectroscopia a laser e, com base na cotação em tempo real da Bolsa de Ouro de Xangai, procede à transferência do valor correspondente para a conta bancária indicada. Todo o processo demora aproximadamente 30 minutos, mediante o pagamento de uma taxa de 18 yuans por grama, o equivalente a cerca de 2,30 euros.
Num momento em que o preço do ouro atinge máximos históricos, esta solução surge como resposta moderna à procura por liquidez imediata, especialmente entre quem prefere evitar processos burocráticos ou intermediários na avaliação de ouro.
O Kinghood Group tem planos ambiciosos: expandir para mais de 40 pontos em Xangai e, em seguida, estender a presença a outras grandes cidades como Pequim, Shenzhen e Hong Kong.
A tecnologia tem potencial para revolucionar também fora da China. Em países como Moçambique, onde o ouro integra o património familiar e artesanal de muitas comunidades, um sistema semelhante poderia facilitar o acesso directo ao valor do metal precioso, promovendo inclusão financeira e reforçando a economia local.
