As autoridades chinesas avançaram com um pacote de medidas rigorosas para conter a proliferação de conteúdos médicos enganosos divulgados por contas independentes nas redes sociais, num esforço para preservar a integridade da informação em saúde e proteger o público.

Segundo o conceituado jornal South China Morning Post, a decisão foi formalizada no dia 1 de Agosto, através de um comunicado conjunto da Administração do Ciberespaço da China (CAC), da Comissão Nacional de Saúde (NHC), da Administração Estatal de Regulação do Mercado (SAMR) e da Administração Nacional de Medicina Tradicional Chinesa (NATCM). O documento estabelece as "Directrizes para Regular o Comportamento da Auto-Mídia Científica Médica", com o objectivo de travar a disseminação de informações médicas falsas ou enganosas nas plataformas digitais.

Estas novas regras incidem particularmente sobre conteúdos gerados por utilizadores fora dos meios de comunicação tradicionais ou oficiais, mas que circulam em plataformas sociais e outros canais online. Com mais de 1,07 mil milhões de utilizadores de vídeos curtos na China, dos quais cerca de 92% consomem conteúdos relacionados com saúde, a regulação surge como resposta à crescente influência de figuras não credenciadas neste ecossistema digital.

As medidas reforçam a responsabilidade dos profissionais de saúde e colaboradores do sector ao partilharem conteúdos científicos nas redes, exigindo-lhes maior rigor e transparência. Paralelamente, as plataformas digitais passam a ser responsabilizadas pela verificação de credenciais dos utilizadores e pela autenticidade da informação divulgada.

No seguimento desta acção, foram ainda divulgadas no dia 13 de Agosto as "Directrizes para o Reconhecimento de Anúncios Médicos", delineando critérios claros para distinguir entre educação em saúde pública legítima e publicidade disfarçada.

“Foi traçada uma linha clara entre a verdadeira educação sanitária e a publicidade comercial camuflada,” afirmou Gu Baozhong, especialista em inspecção de mercado da SAMR, à agência estatal Xinhua.