Na Cidade de Maputo, mais de três mil pessoas encontram-se em centros de acolhimento devido às inundações urbanas que têm assolado a área. Estes 21 centros ainda abertos são o lar temporário de muitas famílias, algumas das quais já lá se encontram há dois anos, aguardando um reassentamento definitivo.
As chuvas intensas que ocorreram entre 2023 e 2024 forçaram numerosas famílias a procurar refúgio nestes centros. Apesar de as condições serem descritas como razoáveis, com acesso a alimentação, banho e um local para dormir, muitos ressalvam que nada se compara ao conforto e segurança do próprio lar. Fernando Mandlate, um dos desalojados, partilhou a sua história de deslocamento forçado devido à inundação da sua casa.
Além das adversidades causadas pelas chuvas, as famílias enfrentam desafios diários, incluindo a exposição a doenças. A preocupação é acentuada pela deterioração das tendas que servem de abrigo, aumentando o risco de problemas de saúde, como foi exemplificado por relatos de sintomas de diarreia e vómitos entre os acolhidos.
O processo de reassentamento é uma das principais reivindicações dos residentes dos centros de acolhimento, que solicitam não apenas um espaço, mas uma habitação adequada que reflicta as condições de suas antigas residências. A despeito da formação de mais de 300 médicos anualmente no país, a colocação destes profissionais nas áreas onde são mais necessários ainda apresenta sérios desafios logísticos e burocráticos.
Lucréncia Muchanga, uma estudante que está entre os deslocados, expressou preocupações adicionais sobre a proximidade de escolas nos possíveis novos locais de reassentamento, sublinhando a importância de se garantir a continuidade da educação das crianças afectadas.
O reassentamento das 863 famílias (3141 pessoas) distribuídas pelos centros em diferentes distritos municipais de Maputo permanece indefinido. O Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD) indicou que os centros continuarão abertos até que um reassentamento seguro seja concretizado, pois as tentativas de drenagem das áreas inundadas foram infrutíferas.
