A castanha de caju mantém-se em ascensão como um dos principais motores da balança comercial moçambicana. No primeiro trimestre de 2025, as exportações atingiram 38,7 milhões de dólares, superando os 34,3 milhões de dólares registados no mesmo período de 2024, segundo dados do Banco de Moçambique.
Com este desempenho, o caju ultrapassou produtos como o tabaco, os legumes, as bananas e até os rubis, consolidando-se como o mais exportado entre os chamados produtos tradicionais.
O Governo estima que a produção de castanha de caju cresça 23% este ano, alcançando 218.900 toneladas, com a área cultivada a aumentar 26%, para 64 mil hectares, contra os 50.600 hectares da época anterior. Em paralelo, estão previstos investimentos significativos: a distribuição de 6,67 milhões de mudas de cajueiros e o tratamento químico de 9,27 milhões de árvores contra pragas, num programa avaliado em 90 milhões de meticais.
O desempenho recente dá continuidade a um ciclo de forte expansão. Só em 2024, a receita com exportações de caju cresceu 71%, atingindo 98,2 milhões de dólares – um recorde histórico. Em 2023, o sector tinha já alcançado 57,3 milhões de e em 2022 51,7 milhões de dólares. Em 2021, o valor ficava-se pelos 30 milhões de dólares.
A comercialização interna também acompanha esta dinâmica. Na última campanha, Moçambique atingiu 195.400 toneladas, aproximando-se do recorde dos anos 70, quando o país figurava entre os maiores produtores mundiais. Só em 1973, por exemplo, foram processadas 210 mil toneladas, colocando Moçambique como segundo maior produtor, atrás apenas da Índia.
Após a independência, em 1975, a produção caiu abruptamente para menos de 10% do volume anterior – cerca de 15 a 20 mil toneladas anuais –, mas os dados oficiais confirmam uma recuperação contínua nas últimas décadas.
Hoje, a fileira do caju envolve 1.047.000 famílias, 69 empresas e 7.287 trabalhadores, segundo o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas. Só na província de Maputo participam 32.168 famílias, com a região a afirmar-se como centro de consumo e motor de novas oportunidades de negócio.
Cinco décadas após a independência, o caju reafirma-se não apenas como uma cultura de rendimento vital para as comunidades rurais, mas também como um símbolo da capacidade de Moçambique em recuperar protagonismo agrícola no cenário internacional, mesmo sob os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
