Realizou-se no Auditório do BCI, em Maputo, o evento de encerramento do projecto “Vozes da Savana: Elefantes Monitorados, Comunidades Ouvidas”, cuja operacionalização marcou avanços significativos na mitigação dos conflitos entre comunidades e elefantes nos distritos de Moamba, Namaacha e Matutuíne.
A cerimónia marcou celebração e inspiração, destacando a parceria entre o BCI e a BIOFUND. Incluiu momentos culturais, apresentações e debates, exposição fotográfica sobre a biodiversidade e exibição de vídeos com testemunhos autênticos da realidade vivida no terreno.
Financiado pelo Cartão Bio, o projecto visou criar um sistema eficaz de prevenção e monitoria dos conflitos entre pessoas e animais, promovendo uma convivência pacífica. Foi implementado pela Mozambique Wildlife Alliance (MWA), com apoio da ANAC, recorrendo a satélites, vedações eléctricas, métodos de dissuasão e equipas comunitárias, numa abordagem participativa que valorizou a escuta e o envolvimento das comunidades.
Principais resultados alcançados
Em 2024, o projecto "Vozes da Savana" registou a resolução bem-sucedida de mais de 200 casos de conflito, assegurando a protecção de comunidades locais e suas machambas. Instalaram-se vedações eléctricas em zonas-chave de Moamba e Incomáti, e cerca de 700 membros das comunidades receberam formação. O uso de colares de satélite nos elefantes permitiu prever deslocamentos e reduzir significativamente os incidentes, assegurando uma gestão preventiva e inovadora da convivência entre as comunidades e os animais.
Rogério Lam, Administrador do BCI, sublinhou, na sessão de encerramento: “O Cartão Bio é um modelo pioneiro que demonstra como instrumentos financeiros podem ser catalisadores de mudanças sociais e ambientais positivas. ‘Vozes da Savana’ é a expressão concreta dessa visão”. Lam destacou ainda que até Junho de 2025, o BCI contabilizava mais de 43.000 Cartões Bio activos, cujas transacções geraram fundos substanciais para projectos de conservação.
Na mesma ocasião, Teresa Alves, da BIOFUND, defendeu que a parceria deve ser expandida para novas geografias, replicando os resultados obtidos em Moamba, Namaacha e Matutuíne. Já Rezia Cumbe, da ANAC, sublinhou: “Este projecto alia ciência, tecnologia e saber local. O seu encerramento é, na verdade, um ponto de partida para consolidar e ampliar boas práticas”.
Ao longo de oito anos, o BCI e a BIOFUND consolidaram uma parceria estratégica que combina impacto económico, social e ambiental, respondendo de forma eficaz aos desafios da conservação da biodiversidade no país.
Uma experiência simbólica e transformadora
No âmbito do “Vozes da Savana”, após o evento de encerramento, o Presidente da Comissão Executiva (PCE) do BCI, Francisco Costa, participou, a 11 de Agosto, numa operação de monitoria na área do Incomati Conservancy, tendo procedido à colocação da última coleira de satélite num elefante.
Segundo referiu Francisco Costa, a experiência de acompanhar todo o processo, da captura à sedação e à colocação da coleira, foi profundamente marcante: “Estar próximo de um elefante selvagem despertou em mim respeito, admiração e responsabilidade, mostrando que é possível conciliar desenvolvimento, protecção da biodiversidade e empatia”. O PCE sublinhou ainda o valor do Cartão Bio como inovação financeira que se traduz em resultados concretos, convertendo o compromisso do BCI em acções que regeneram a natureza, protegem a biodiversidade e impactam positivamente vidas.
Um modelo de inovação financeira ao serviço da conservação
Lançado a 8 de Dezembro de 2017, o Cartão Bio, feito de material biodegradável à base de milho, foi o primeiro do género em Moçambique. Para além de oferecer serviços bancários, cada transacção gera fundos para projectos de conservação liderados pela BIOFUND, sem custos adicionais para o utilizador.
Com os recursos recolhidos, várias acções ambientais têm sido desenvolvidas, tais como a protecção de rinocerontes e tartarugas marinhas, a conservação da Raphia australis na Reserva Botânica de Bobole, o monitoramento de rotas migratórias de tartarugas nas Ilhas Primeiras e Segundas, a revitalização do Jardim Botânico da UEM e acções no Parque Nacional de Banhine, bem como em Cheringoma e Muanza, contribuindo para a conservação da natureza e a criação de emprego.
Com inovação, parcerias sólidas e investimento contínuo, o BCI reafirma o seu compromisso com a inclusão e a sustentabilidade.
