No coração de Maputo, jovens empreendedores têm encontrado nas bancas de serviços financeiros por telemóvel uma alternativa para enfrentar o desemprego.
O censo populacional de 2017 do Instituto Nacional de Estatísticas aponta que, dos cerca de 9,4 milhões de jovens moçambicanos, um terço não tem emprego, escolaridade ou formação profissional. Esta realidade impulsiona muitos jovens, como Jorge Pinto e José Sebastião, a procurarem oportunidades em negócios como agentes de serviços financeiros por telemóvel. Estes jovens ganham a vida através das comissões obtidas em cada transacção financeira que facilitam para os seus clientes.
Os serviços oferecidos nestas bancas improvisadas vão além das transacções financeiras, incluindo a venda de pequenos itens como rebuçados e bolachas, e até serviços como engraxar sapatos, no caso de Moisés Mateus, outro jovem agente.
O crescimento deste sector é evidenciado pelos dados do Banco de Moçambique, que registou um aumento significativo no número de contas de Instituições de Moeda Electrónica (IME), de 11.412.194 em 2021 para 16.607.021 em Outubro de 2023. Este aumento demonstra a crescente procura por serviços financeiros via telemóvel, principalmente entre a população que não tem acesso a bancos tradicionais.
No entanto, este crescimento traz também desafios como burlas e assaltos, obrigando estes jovens agentes a estarem sempre atentos para evitar serem enganados ou roubados.
Este negócio, que tem contribuído significativamente para a economia moçambicana, poderá ser afectado pelas reformas de política fiscal propostas pelo Governo para 2024, que incluem a tributação das comissões destes agentes e instituições.
