A eliminação do Senegal frente à Bélgica, nos 16 avos de final do Mundial 2026, continua a produzir ondas de choque. Depois da saída do seleccionador Pape Thiaw, surge agora uma revelação inesperada que lança novas dúvidas sobre o funcionamento interno da selecção nacional: o médico que liderou o departamento clínico durante uma década era, afinal, ginecologista e obstetra.

A informação foi tornada pública por Abdoulaye Fall, presidente da Federação Senegalesa de Futebol desde 2025, durante uma conferência de imprensa convocada para apresentar as conclusões de uma rigorosa auditoria interna destinada a apurar as causas da crise que abalou a equipa.

«Descobri recentemente que o Dr. Fedior é, na realidade, ginecologista e obstetra de profissão», declarou o dirigente, revelando ainda que «o médico principal não possuía as qualificações académicas adequadas para supervisionar os jogadores».

Durante dez anos, Fedior assumiu a responsabilidade pelos cuidados médicos dos internacionais senegaleses. De acordo com Abdoulaye Fall, a situação acabaria por alimentar um clima de desconfiança dentro do balneário, afectando a relação entre os atletas e a estrutura médica.

«A este nível, e de acordo com os comentários que recebi, os jogadores não tinham plena confiança para depender dele ou para que supervisionasse os seus cuidados de forma contínua», explicou o presidente da federação.

Na sequência das conclusões da auditoria, Abdoulaye Fall prepara agora uma profunda reestruturação da selecção senegalesa. O processo incluirá a nomeação de uma nova equipa técnica, a reorganização dos departamentos internos e a implementação de mudanças consideradas essenciais para devolver estabilidade ao grupo e permitir que uma geração amplamente reconhecida pelo seu talento possa voltar a lutar por resultados de elevado nível.