Árvores da Paz é um filme inspirado em factos verídicos ocorridos em Abril de 1994, durante o genocídio cometido no Ruanda pela comunidade hutu contra a comunidade tutsi. O enredo gira em torno de Annick, uma mulher hutu que abriga 3 mulheres distintas – Peyton, Muteshi e Jeanette – durante os terríveis ataques. Todas se refugiam na cave de armazenamento de alimentos da sua cozinha. O marido de Annick, um hutu de nome François, confiantemente garante que tudo ficará bem com a intervenção da ONU e promete a sua esposa que voltará um dia para resgatar todas elas. Contudo, os dias passam e o socorro não aparece. As mulheres encontram-se fechadas num depósito subterrâneo que apenas abre pelo exterior. Através de uma pequena janela, observam os homens hutu a cometerem crimes hediondos, e empenham-se em sobreviver ao terror mortal da guerra que presenciam.
O filme, rodado inteiramente no espaço confinado do armazenamento subterrâneo, consegue arrepiar-nos com o que acontece às personagens. Transforma-se num jogo de espera angustiante, não só para aquelas mulheres, mas também para os espectadores. A pergunta constante sobre se elas conseguirão sobreviver consome-nos até ao fim.
Dirigido por Alanna Brown, o filme conta com a representação soberba de Ella Cannon no papel de Peyton, Bola Koleosho como Muteshi, Charmaine Bingwa no papel de Jeanette, Eliane Umuhire como Annick e Tongayi Chirisa a encarnar François.
Com uma duração de 1 hora e 38 minutos, a película expõe-nos ao dano emocional e mental provocado pelos assassinatos e conflitos bélicos. É um conto perturbador de sobrevivência que arrepia qualquer um que o assista. Disponível na plataforma de streaming Netflix, o filme proporciona uma valiosa perspectiva sobre a história do Ruanda, eventualmente por poucos conhecida.
