A ambição de transformar Moçambique num destino turístico de referência deverá caminhar lado a lado com um desafio considerado decisivo: colocar mais empresários e capital moçambicanos no centro do desenvolvimento da indústria. É esta a posição defendida pela Agência Nacional de Desenvolvimento e Investimento Turístico (ANDITUR) e pelo sector privado, que apelam a uma participação mais expressiva dos operadores nacionais nos principais empreendimentos turísticos do país.
“O melhores hotéis e os melhores lodges deste país devem ser geridos e pertencer a moçambicanos. Esse é o grande desafio que temos”, afirmou Hélder Jauana, presidente do Conselho de Administração da ANDITUR, à margem de um encontro com a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), realizado na sexta-feira, 2 de Outubro, em Maputo.
A pretensão surge num sector em que o potencial turístico contrasta com os obstáculos que continuam a condicionar o investimento. Jauana reconheceu a existência dessas limitações e defendeu que cabe ao Estado criar um ambiente capaz de permitir aos operadores nacionais ampliar a sua presença na indústria.
“Existem vários constrangimentos ao investimento turístico em Moçambique e nós, enquanto Estado, temos de trabalhar para remover essas barreiras”, declarou.
O encontro entre a ANDITUR e a CTA procurou, precisamente, aproximar as duas instituições e estabelecer um mecanismo de coordenação para identificar as dificuldades enfrentadas pelos investidores e encontrar respostas para os problemas que condicionam a actividade empresarial no turismo.
Para Hélder Jauana, o potencial natural e turístico do país, por si só, não é suficiente. O passo seguinte passa por transformar os recursos existentes em investimentos concretos, tarefa na qual atribui ao empresariado um papel determinante.
“Do potencial que Moçambique tem, precisamos de passar para a realização. E quem realiza é o empresariado”, afirmou.
Do lado do sector privado, a vice-presidente da CTA para o Turismo, Salma Kamalissouf, considera que a criação da ANDITUR poderá abrir uma nova frente para reforçar a posição dos empresários moçambicanos dentro da indústria turística.
“Esta agência está aqui para posicionar os nossos empresários dentro do sector do turismo”, disse.
Kamalissouf defendeu igualmente uma abordagem mais clara sobre o modelo de desenvolvimento turístico a adoptar nas diferentes regiões do país. Na sua perspectiva, cada destino deve ter uma estratégia própria, acompanhada da definição dos segmentos de mercado que se pretende desenvolver.
“Precisamos de definir, a nível nacional, que tipo de turismo queremos em cada destino turístico”, sustentou.
A responsável reconheceu, entretanto, a importância do investimento estrangeiro para o crescimento do sector, mas defendeu que a entrada de capitais externos deve produzir benefícios para Moçambique e contribuir para elevar a qualidade da oferta turística nacional.
É neste quadro que a CTA olha para o Mozambique Tourism Summit, conferência internacional de turismo prevista para Novembro, em Inhambane, como uma plataforma para dar visibilidade aos projectos de investidores nacionais e aproximá-los das oportunidades de investimento que poderão ser geradas através da ANDITUR.
A expectativa é que o encontro permita colocar empresários moçambicanos diante de oportunidades concretas num sector considerado estratégico e com potencial para atrair novos investimentos.
A reunião entre a ANDITUR e a CTA, realizada no âmbito dos primeiros contactos institucionais da nova agência com o sector privado, terminou com a constituição de equipas técnicas encarregadas de acompanhar matérias relacionadas com o ambiente de negócios e o desenvolvimento do turismo nacional.
Criada por decreto do Conselho de Ministros, a 25 de Maio, a ANDITUR tem como mandato coordenar e promover o desenvolvimento turístico, facilitar o investimento e contribuir para posicionar Moçambique como um destino turístico de referência nos mercados regional e internacional.
