A S&P Global Ratings alertou que os governos africanos enfrentam riscos crescentes associados ao endividamento, à medida que os calendários de reembolso da dívida em moeda forte, previstos para 2026, aumentam a pressão sobre as reservas externas e elevam os riscos de refinanciamento.

No mais recente relatório sobre a perspectiva soberana africana, publicado esta segunda-feira, a agência indica que os reembolsos da dívida externa governamental são hoje mais de três vezes superiores aos registados em 2012.

“Dívidas estruturalmente elevadas e bases de receitas reduzidas e concentradas continuarão a representar riscos-chave e, com os reembolsos da dívida externa governamental a poderem ultrapassar os 90 mil milhões de dólares este ano, as vulnerabilidades externas também aumentaram”, escreveu Benjamin Young, analista da S&P, acrescentando que “os reembolsos da dívida externa governamental estão a aproximar-se de um pico”.

O Egipto representa quase um terço do total previsto para este ano, com cerca de 27 mil milhões de dólares em reembolsos de capital, seguido por Angola, África do Sul e Nigéria.

A S&P assinala que a classificação soberana média da região atingiu os níveis mais elevados desde o final de 2020, reflectindo o impulso das reformas e uma melhoria do crescimento económico. Ainda assim, trata-se sobretudo de um sinal de estabilização de métricas de crédito essenciais, e não de uma melhoria significativa, uma vez que os ajustamentos estruturais necessários para reduzir os níveis de dívida tendem a exigir prazos mais longos.

O alívio das condições financeiras globais e o interesse dos investidores em diversificar as suas carteiras reabriram a porta para que vários Estados africanos regressem aos mercados internacionais de capitais. Contudo, alguns países, como a República do Congo, foram forçados a oferecer rendimentos de dois dígitos nos últimos meses — valores considerados excessivamente elevados para os emissores — levando vários governos a recorrer a operações fora do mercado, como colocações privadas ou acordos de “total return swap”.

A S&P projecta que o crescimento económico se mantenha estável, com uma taxa média de crescimento real do PIB de 4,5% em 2026, enquanto os défices orçamentais deverão consolidar-se modestamente para cerca de 3,5% do PIB. Apesar disso, a dívida pública deverá permanecer elevada, em torno de 61% do PIB, em média.

O aumento do peso dos reembolsos está a levar vários governos a adoptar estratégias de gestão de passivos — incluindo recompras, trocas e extensões de maturidade — com o objectivo de reduzir os riscos de refinanciamento. Entre os países que têm recorrido a estas abordagens destacam-se Costa do Marfim, Benim, Uganda, República do Congo, Moçambique, Quénia e África do Sul.