Os Aeroportos de Moçambique (AdM) voltaram a apresentar resultados positivos em 2025, encerrando o exercício com um lucro líquido de 637 milhões de meticais, depois de vários anos consecutivos de prejuízos. A recuperação surge na sequência do saneamento da dívida das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) e da reestruturação dos passivos da empresa pública responsável pela gestão de cerca de 20 aeroportos e aeródromos do País.
O resultado representa uma inversão significativa face a 2024, ano em que a AdM registou perdas de 1,53 mil milhões de meticais.
De acordo com o relatório e contas de 2025, a administração atribui esta melhoria sobretudo à reversão de perdas por imparidade relacionadas com o processo de regularização da dívida da LAM. O impacto da operação permitiu que os resultados operacionais passassem de um saldo negativo de 583 milhões de meticais em 2024 para um resultado positivo de 1,19 mil milhões de meticais em 2025.
A auditora Deloitte explica que o Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE) realizou, durante o ano, um encontro de contas entre créditos detidos pela AdM sobre a LAM e dívidas da gestora aeroportuária ao Estado e a outras entidades públicas, numa operação avaliada em 3,78 mil milhões de meticais.
Segundo o parecer da auditora, esta medida possibilitou a reversão de imparidades anteriormente registadas no valor de 2,48 mil milhões de meticais, contribuindo decisivamente para a recuperação dos resultados da empresa.
Contudo, o regresso aos lucros não elimina os desafios estruturais. A Deloitte alerta para a existência de uma “incerteza material” relativamente à continuidade da actividade da empresa. Em 31 de Dezembro de 2025, a AdM apresentava um capital próprio negativo de 857 milhões de meticais e passivos correntes superiores aos activos correntes.
A auditora refere ainda que a empresa continuava a deter créditos sobre a LAM avaliados em 1,12 mil milhões de meticais e sublinha que persistem dúvidas relevantes sobre a sua capacidade de operar de forma sustentável sem apoio financeiro estatal.
No plano comercial, o volume de negócios recuou para 2,85 mil milhões de meticais, ficando 23% abaixo do previsto no plano anual e 5% abaixo do registado em 2024.
As receitas aeronáuticas, principal fonte de rendimento da empresa, totalizaram 2,57 mil milhões de meticais, menos 6,7% em comparação com o ano anterior. Em sentido contrário, as receitas não-aeronáuticas cresceram 10%, atingindo 290 milhões de meticais.
A actividade operacional também registou uma desaceleração. Os aeroportos moçambicanos movimentaram 1.863.772 passageiros em 2025, uma redução de 9,3% face aos 2.055.435 passageiros contabilizados em 2024.
O número de aeronaves movimentadas caiu 10,9%, fixando-se em 54.495 operações. A carga processada totalizou 7.842 toneladas, menos 28,4% do que no ano anterior, enquanto o movimento de correio diminuiu 43,5%, para 275 toneladas.
Em contraste, os sobrevoos do espaço aéreo nacional registaram um crescimento de 10,6%, alcançando 32.901 aeronaves.
No final de 2025, a empresa contava com 843 trabalhadores, mais 13 do que no ano anterior.
Os rendimentos e ganhos da AdM ascenderam a 5,85 mil milhões de meticais, representando um aumento de 67%. Já os gastos e perdas cresceram 12,2%, totalizando 5,45 mil milhões de meticais.
A presidente do conselho de administração, Amélia Mucandane, descreveu 2025 como um ano particularmente exigente para o sector da aviação. A gestora apontou como principais factores de pressão a conjuntura macroeconómica, os desenvolvimentos geopolíticos internacionais, a instabilidade registada no País após o último trimestre de 2024 e a situação de segurança em Cabo Delgado.
Apesar dos desafios, a empresa acredita num cenário mais favorável para 2026. As perspectivas assentam no crescimento da procura por viagens aéreas, na recuperação do turismo, no aumento do tráfego aéreo e na expansão das operações da Solenta Aviation. A entrada da companhia Airlink no Aeroporto Internacional de Nacala é igualmente apontada como um dos factores que poderão impulsionar a actividade ao longo do próximo ano.
