Adoramos Africanicidade

Trazido pelo Absa Bank Moçambique

Como é que surgiu o projecto do Balcão Premier virado para as artes?
As montras iniciaram simultaneamente com o conceito de Africanicidade, no âmbito da mudança de marca. Africanicidade não se trata apenas de uma nova palavra criada pelo Absa, é acima de tudo um conceito que representa a capacidade distintamente africana de encontrar sempre uma maneira de fazer as coisas acontecerem. E neste caso, numa abordagem bastante criativa, podemos afirmar que o Absa apresentou uma solução criativa para evidenciar o conteúdo local, num contexto consideravelmente adverso. Com a eclosão da pandemia do coronavírus, vimo-nos obrigados a orientar a ideia para uma acção de apoio aos artistas que se viram limitados nas suas actividades, devido às medidas de contenção da propagação da doença adoptadas pelo governo. Esta orientação criou, imediatamente, um efeito ‘dois em um’, sendo que, por um lado, permitiu a continuidade de exposições artístico-culturais durante a pandemia, de uma forma totalmente democratizada, e, por outro, tirou os artistas da situação de desnorte em que se encontravam, preparando-os para lidar com diferentes tipos de público.

Este espaço permite que os artistas apresentem os seus trabalhos em segurança. Terá sido preocupação do Absa a criação de um palco seguro de promoção do sector cultural?
Obviamente. E é como já dizemos no nosso mais célebre conceito, que “Africanicidade é uma forma de fazer as coisas acontecerem”. A pandemia não nos vai impedir de viver ou de fazer o que já vínhamos fazendo, mas obriga-nos a fazer de forma segura e preservando a nossa vida e a nossa saúde. Isto é o que mais importa para nós e, por isso, temos neste balcão todas as condições criadas para que a pandemia não impeça a propagação da arte viva além-fronteiras. Já acolhemos diversas exposições e continuaremos a fazê-lo, seguindo à risca as recomendações das autoridades sanitárias.

Porque é que a cultura é um pilar importante para o Absa?
Dizem os mais sabidos na matéria que sem cultura não há vida, ou que, simplesmente, sem ela não temos identidade. É o que nos define, e só a partir de uma definição clara e simples é que começamos a ser conhecidos. A cultura é o que fazemos todos os dias e, portanto, valorizamo-la do mesmo jeito que valorizamos as nossas conquistas, a nossa identidade. No meio em que estamos inseridos, interagimos com diversas entidades e é importante que cada um se mostre como é e como opera, para que possamos perceber a diversidade e, a partir daí, orientarmos as nossas contribuições para o desenvolvimento da sociedade, no geral. A cultura é um elemento de extrema importância para a nossa estratégia de cidadania, pois acreditamos no seu papel fundamental na formação da sociedade, mas também no enorme talento e criatividade que os moçambicanos têm. É por essa razão que apoiamos diversos projectos e iniciativas, como o caso do Xiquitsi e o Mozambique Fashion Week. Aliás, o Absa foi o primeiro Banco que recorreu a um artista plástico (Gonçalo Mabunda) para ser o rosto central de uma campanha publicitária, precisamente a campanha de mudança de marca, o que demonstra a importância que o banco dá à arte e à cultura, sem mencionar o trabalho que temos vindo a realizar na preservação do acervo artístico do banco, que contempla obras de artistas nacionais e de renome internacional, como o grande Malangatana.
Temos muito orgulho em ser o primeiro Banco a tornar um dos seus espaços num atractivo cultural e isso já demonstra a nossa africanicidade. 

Na perspectiva do Banco, como é que a acção do Balcão Premier promove o crescimento de artistas nacionais?
Antes de mais, importa referir que por aqui já passaram artistas plásticos, fotógrafos, poetas e estilistas, desde os mais conceituados, aos que almejam afirmar-se no circuito das artes. Promovemos não só o crescimento de artistas nacionais, mas das artes e cultura como um todo. Já tivemos neste espaço, não apenas artistas consagrados e jovens artistas, mas também uma exposição que deu espaço aos colaboradores do Banco para expor a sua criatividade. Obviamente que cada um vai tirando, na medida das suas capacidades, o proveito que lhe convém, mas, de uma forma geral, temos ajudado a criar grandes ligações entre quem faz e quem aprecia. Devo dizer, também, que a exposição não se limita a este espaço físico, temos igualmente partilhado as criações que aqui são apresentadas nas nossas plataformas digitais e na imprensa local, o que propicia uma visibilidade internacional e nacional amplamente benéfica para os nossos artistas. Há quem se congratule com o aumento do número de vendas, mas há também quem se orgulhe do intercâmbio e da troca de experiências que agregam valor aos seus trabalhos.

Quantos artistas podem apresentaram os seus trabalhos neste projecto?
Desde finais de 2019 até ao momento, já tivemos mais de 30 artistas no nosso Balcão Premier. Pensamos que este é um recorde nacional, pois não há registos de algum centro cultural que, em tão pouco tempo, colocou em exposição igual número de artistas. Podemos dizer, com orgulho, que numa única exposição já tivemos 18 artistas, isto quando realizámos a montra MFW (Maputo Fashion Week), onde um grupo de estilistas, maioritariamente composto por mulheres, exibiu as suas criações. Refira-se que essa exposição durou cerca de 3 meses, e que os artistas expunham em momentos diferentes, de modo a evitarem-se aglomerados. Tivemos outros tantos artistas em mais de 5 exposições só no ano passado, o que já nos coloca em destaque e referência no baluarte das exposições artístico-culturais em Moçambique.

E quais serão os próximos passos do projecto?
Levar este projecto às principais capitais provinciais ao longo do País. O que queremos de facto é evidenciar o conteúdo local e nada melhor que trazer também as diversidades culturais que identificam cada parte do País. Queremos igualmente continuar a investir num conceito interdisciplinar, para que não se promova apenas arte e cultura, mas também se passe o legado, a nossa história, para gerações vindouras. Pretendemos, também, potenciar a componente digital e, através das redes sociais do Banco, convidar os artistas a promoverem os trabalhos que produzem durante este período crítico, que precisa, bem mais do que nunca, da arte e cultura como factor de união e que permite ajudar a humanidade a ultrapassar e transformar a sua história.