Em continuidade com o ciclo de cinco anos de máximos, a taxa de juro primordial, orientadora das operações de crédito em Moçambique, vai conservar o valor de 23,5% em Junho, conforme anunciado pela Associação Moçambicana de Bancos (AMB).
É necessário efectuar uma retrospectiva até Maio de 2018 para depararmo-nos com um valor equivalente. Seguidamente, a taxa primordial sofreu uma diminuição, registando um valor mínimo de 15,5% em Fevereiro de 2021. Contudo, nesta conjuntura, a tendência sofreu um volte-face, com a taxa a galgar degraus até se fixar nos 23,5% desde Abril.
A escalada da taxa primordial tem-se correlacionado com o crescimento da taxa de juro de política monetária (taxa MIMO), que tem um papel preponderante na equação da taxa primordial, pela mão do banco central, com o fito de dominar a inflação.
Na mesma linha de pensamento, o banco central de Moçambique optou, nesta semana, por manter a taxa MIMO nos 17,25%, incrementando, simultaneamente, as reservas obrigatórias que são requisitadas aos bancos comerciais.
A taxa primordial foi concebida em 2017, fruto de um acordo entre o banco central e a AMB, com o objectivo de aniquilar a disseminação desenfreada de taxas de referência no custo do dinheiro, tendo sido instituída com um valor de 27,75%.
A intenção subjacente é que todas as transacções de crédito sejam baseadas numa taxa única, com a adição ou subtracção de uma margem (spread) à taxa primordial, de acordo com a análise de risco de cada contrato, esclarecem os responsáveis pela iniciativa.
