Um crescente número de nações em desenvolvimento tem vindo a praticar ecoturismo para proteger a sua biodiversidade e gerar receita, por não serem tão estáveis financeiramente quanto países mais desenvolvidos. O ecoturismo desempenha um papel fundamental não só na melhoria das condições económicas de um país, mas também na construção de comunidades sustentáveis com possibilidade de alcançar um futuro melhor e mais verde.
Entrevistei três especialistas moçambicanos para compreender melhor todo este conceito e esclarecer o seu significado para fazer florescer a economia do turismo de Moçambique.
Citando Test Malunga, gestor de safáris e actividades do Parque Nacional da Gorongosa, “o ecoturismo é uma estratégia de conservação eficaz para uma nação em desenvolvimento, pois ajuda a preservar áreas naturais, salvaguardar tradições culturais, gerar receita para o desenvolvimento nacional e empregar locais, criando simultaneamente conservacionistas da nova geração, que crescem com uma ética de conservação que será transmitida às gerações futuras. Significa isto que não será necessário tanto esforço assim para incutir a mentalidade."
Logo após a pandemia, a indústria do turismo, como em qualquer outro país, foi severamente afectada em Moçambique. Tal como outros países em desenvolvimento, Moçambique ainda tem de trabalhar na promoção e divulgação do turismo e tornar-se um país amigo do turista como um todo.
Quando questionado sobre a exigência do ecoturismo em Moçambique, Malunga afirmou: "O ecoturismo baseado na natureza é o melhor meio de estimular iniciativas de conservação, preservando áreas naturais para a vida selvagem, bem como diminuindo o desperdício e a poluição, o que ajuda significativamente o meio ambiente. São tangíveis os benefícios decorrentes das actividades turísticas, como a criação de emprego, que permite aos membros da comunidade local assumir a propriedade dos recursos naturais (da vida selvagem, por exemplo), que, para eles, são os instrumentos de geração de renda. As formas como todos contribuem para a conservação incluem não se envolverem em caça furtiva ou actividades de caça ilegal, uma vez que têm rendimentos." Test acredita que o ecoturismo é um excelente incentivo económico para ajudar a preservar os ecossistemas não só de Moçambique, mas também de África.
Muita compreensão e sensibilização têm de ocorrer no país para ajudar a reconhecer o verdadeiro significado do turismo baseado na natureza. A ética de viagens responsáveis pode ser mais bem implementada do que já é. Para preservar as jóias ecológicas de Moçambique, têm de ser enfrentadas de forma eficaz sérias questões, como os conflitos entre o homem e a vida selvagem, e muitas outras questões sociais, como a pobreza e o adequado acesso à educação, têm de ser abordadas para se conseguir fazer prosperar a indústria do turismo.
A Reserva Especial de Maputo, um conhecido parque nacional moçambicano, oferece uma rica experiência aos ecoturistas. É o lar de espécies animais ameaçadas de extinção e paisagens impressionantes. Miguel Gonçalves, guarda do parque galardoado com o prémio Tusk desta reserva especial, dá-nos a sua perspicaz opinião ao afirmar: "No nosso país, tem de se começar pela exposição das futuras gerações à natureza, para que possam valorizá-la e usufruí-la, melhorar os acessos, as infra-estruturas, os serviços públicos, etc. para ou nessas áreas, entre outros."
O Objectivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 8, um dos muitos objectivos estabelecidos pelas Nações Unidas para se alcançarem melhores condições para os países em todo o mundo, é trabalho digno e crescimento económico. Através do ecoturismo, não só este objectivo está a ser praticado, mas também muitos outros. Muitos membros da comunidade conseguem adquirir uma renda para a sua família através do ecoturismo, o que leva a alcançar o ODS 1 – erradicação da pobreza. Com razão, diz Test: "Em Moçambique e nas culturas africanas em geral, as pessoas vivem em famílias alargadas, o que significa que, quando se emprega um membro da família, a renda facilmente chega a beneficiar dez ou mais pessoas."
O ecoturismo também ajuda a alcançar os ODS 11 e 12, que põem a ênfase em cidades e comunidades sustentáveis, bem no consumo e produção responsáveis. Isto porque envolvem profundamente o consumo de alimentos de origem local, a utilização de energia de forma mais responsável e a gestão de resíduos de forma mais eficiente.
O progresso pode ser feito passo a passo, lenta mas constantemente. Muito mais pode crescer nesta indústria. Resumindo todo o conceito deste artigo em poucas linhas, Carlos Serra, destacado activista ambiental especializado em direito ambiental, diz: "É um tipo de turismo que depende do meio ambiente, ou seja, baseado na riqueza e diversidade do património ambiental. Os turistas querem, neste caso, entrar em contacto com um ambiente natural saudável e protegido e, com isso, o operador vê a sua actividade ser sustentável. Assim, todos ganham: o Governo – através de impostos e receitas; os turistas – sentem-se relaxados e experimentam prazer no seio da natureza; a comunidade local – através do emprego e da oferta de serviços; e o meio ambiente – que é conservado e sustentado."
