Era uma manhã soalheira em Tete, província que parece ter sido pintada à mão com os tons dos verdes mais magníficos e os castanhos de uma terra firme e intensa. Nós, dois amigos com espírito de aventura, e alguma dose de loucura, decidimos aproveitar o dia que tínhamos livre para descobrir a beleza desta província, espelho da natureza moçambicana em estado puro. E que dia fantástico nos aguardava!

Quando saímos de Tete, pelas 8h00 da manhã, a estrada parecia ser apenas mais um caminho, com alguns buracos e mau piso, mas, ao longo do percurso, tornava-se cada vez mais verde, um verde intenso que nos prendia o olhar. Os embondeiros reuniam famílias à sua sombra, sendo uma presença constante. Ao longo da estrada víamos que as pessoas trabalhavam à volta dos maiores embondeiros, como se os ramos e folhas fossem os telhados que os abrigavam do sol inclemente.

Passámos o Songo, um lugar que lembrava uma qualquer fotografia de uma cidade numa montanha europeia: limpa, cuidada, organizada e com espaços para os seus habitantes conviverem. De seguida, chegámos à nossa primeira paragem: Cahora Bassa.

Ah, Cahora Bassa! Uma verdadeira maravilha em que a engenharia e a natureza se uniram, erguendo-se imponente junto ao rio Zambeze, reflectindo o céu e as nuvens com uma serenidade quase religiosa. Sentir aquela força de água contida, ouvir o sussurrar das correntes e observar aquela vastidão de água que alimenta vidas por todo o Moçambique é uma experiência que fica para sempre na memória. A barragem parece o coração pulsante desta região, alimentando esperança e energia para todo o país. E as pessoas? As pessoas de Tete são a alma deste lugar. Com olhos brilhantes e corações abertos, mostram que a beleza de um local também reside na sua gente. Vivem em harmonia com a natureza, celebrando cada dia com uma esperança que contagia quem por aqui passa.

Depois de termos feito cerca de 150 km e visitado um dos pontos mais importantes de Moçambique, resolvemos ir “passear” — um passeio de mais 85 km para almoçarmos. As estradas locais serpenteavam entre campos de algodão, árvores frondosas e pequenas comunidades. Cada trecho revelava um Tete diferente: o brilho do sol na pele, o sorriso caloroso das pessoas que encontrávamos pelo caminho. Quase duas horas depois de termos partido, chegámos ao Moringa Lodge. As vistas deste lodge fantástico tiravam-nos o fôlego. Valeu cada minuto da viagem...

O almoço foi divinal: lagostins de água doce e peixe grelhado. Aproveitei o tempo e fui tirar mais umas fotografias deste lugar fantástico. Mas o “passeio” não tinha ainda terminado. Tínhamos cerca de quatro horas para regressar a Tete, de modo a não perdermos o avião para Maputo, o que, nestas estradas, não foi fácil conseguir. Quase à tabela, conseguimos.
Pela estrada regressámos, optando por um outro caminho. Já ao final do dia, enquanto o sol se despedia atrás das colinas, sentimos que tínhamos descoberto mais do que uma região — tínhamos vivido um quadro real de pureza e força, um pedaço do paraíso. Tete é assim: uma combinação de verdes intensos, uma barragem imponente, estradas que unem histórias e, sobretudo, um povo que cativa pela sua alegria de viver e de partilhar a sua riqueza natural.

Se algum dia passares por aqui, abre bem os olhos e o coração. Tete guarda segredos que só os que verdadeiramente param para olhar conseguem desvendar: a beleza simples de um lugar onde a natureza e o homem caminham lado a lado, em harmonia perfeita.