O ser humano sempre teve a necessidade de viajar, de se adaptar e, muitas vezes, mudar de ambiente. Antes era por razões de sobrevivência, para procurar alimentos e segurança. Com o passar do tempo, evoluiu para turismo, por motivos de lazer, de saúde, religiosos, entre muitos outros. Segundo fontes literárias, a palavra turismo apareceu no contexto da Grand Tour (séc. XVII-XIX), nome dado às famosas viagens feitas para o exterior por jovens europeus de classe nobre, por razões sociais, de lazer e para completar a sua educação, ganhando experiência pessoal e cultura geral.  Obviamente que o mundo se transformou muito, e continua em constante mudança. Seja por factores como a revolução industrial, pelos avanços tecnológicos, ou por outras grandes razões que o futuro nos reserva, o facto é que as viagens se tornaram mais fáceis e acessíveis.

O ser humano sempre teve a necessidade de viajar, de se adaptar e, muitas vezes, mudar de ambiente. 

Hoje, a Grand Tour pode ser feita por cidadãos de diferentes classes sociais, em diferentes fases da vida.  Com o mínimo de organização, qualquer indivíduo pode ter esse privilégio e viver essa experiência única, com financiamento próprio ou através de pesquisa dos diversos programas existentes que financiam este tipo de práticas. É muito mais do que passear por um país diferente, é uma viagem com propósito, é mergulhar a fundo numa cultura nova, passar mais tempo no destino, fazer o que os nativos daquele país fazem quotidianamente. Muito mais do que ver, é observar com olho clínico e, ao mesmo tempo, frequentar algum programa de estudo para ampliar conhecimento, estágio profissional ou trabalho voluntário. É das experiências mais profícuas que o ser humano pode ter. É o turismo de estudo e intercâmbio, com duração máxima de 1 ano, como manda a definição de turismo. Esse distanciamento saudável do que e de quem nos é familiar, da zona de conforto, é uma base forte para o desenvolvimento pessoal, profissional, social e emocional de qualquer indivíduo. Este turismo é um grande alicerce para o autoconhecimento neste infinito processo de metamorfose humana.

Nós, em Moçambique, devíamos apostar nesta experiência pelo menos uma vez durante a nossa vida. Afinal, somos o resultado do que vivemos, e uma experiência deste tipo é arrojada, positiva e enriquecedora. É uma imersão que trabalha com todos os nossos sentidos e ainda nos deixa com a bagagem carregada de memórias que ficam connosco por toda a vida!