A globalização faz o mundo parecer menor, dá-nos a sensação de estarmos todos muito próximos uns dos outros, e de que tudo, ou pelo menos quase tudo, é alcançável. Esta ausência ou diminuição de barreiras entre os países é impulsionada pelo desenvolvimento dos transportes (aviões, comboios, navios-cruzeiros…) e o avanço das tecnologias de informação.   A internet, que se tornou um dos ícones da globalização, deu lugar a este mundo hiperconectado, que opera em tempo real e partilha informação e experiências instantaneamente. Tudo isto cria maior interacção e integração entre pessoas, empresas e governos.

Tornámo-nos uma aldeia global, o que veio estimular ainda mais o turismo internacional. Cresceu significativamente o desejo das pessoas de conhecer novos, lugares diferentes dos habituais, e as motivações também se vão diversificando, o que resultou no desenvolvimento de vários tipos de turismo, como o cultural, o rural, o de saúde, o de intercâmbio, o de negócios, o de desporto, o de aventura, o de sol e praia, o ecoturismo, entre outros.

Moçambique é famoso pelo turismo de sol e praia e é também riquíssimo no turismo histórico-cultural, embora este ainda não seja tão aproveitado quanto o de praias e safáris. Chegam todos os anos turistas de diferentes países para desfrutar a beleza e riqueza do solo moçambicano, e, graças à globalização, nos últimos 10 anos o número de chegadas internacionais passou de 1.193.000 em 2008, para 2.743.000 em 2018, isto é, mais do que duplicou, registando o maior recorde, com uma receita de 241,8 milhões de dólares.

Com a globalização trazendo consigo um consumo constante de informação e cultura internacional e um número crescente de turistas, é preciso aceitarmos o hibridismo cultural, e, mesmo, não temos como a ele fugir. A troca e mistura de culturas acaba sempre por deixar um toque na cultura moçambicana e influenciar os nossos modos de vida. Rega-nos com novas perspectivas, deixa-nos mais tolerantes e menos ignorantes ao que não é nosso, abrindo espaço para convivências positivas e novos conhecimentos. De facto, a globalização não é uma escolha, é uma realidade, a transformação é inevitável. No entanto, jamais percamos o que nos define, os nossos valores, a nossa alma. Que tenhamos sempre em mente que muito do que é nosso é bom. E que nos orgulhemos sempre disso.