Léo Cote, com a obra “Instalação do Corpo”, na categoria de poesia, e Mélio Tinga, com “Névoa na Sala”, na prosa, são os vencedores do Prémio Literário Mia Couto-2025, foi anunciado esta sexta-feira, dia 5 de Setembro, na Beira, pela organização.
Numa cerimónia que decorreu na Universidade Zambeze, na capital de Sofala, os dois laureados receberem os seus prémios monetários, 400 mil meticais cada um, ao conquistarem esta terceira edição do “Mia Couto”. O Prémio distingue as melhores obras literárias publicadas anualmente por autores moçambicanos, e é organizado pela Cornelder de Moçambique (CdM) em parceria com a Associação Kulemba.
Na categoria de poesia, Léo Cote bateu a concorrência das obras “As Coisas do Morto”, de Francisco Guita Júnior; “O Pouso do Casco”, de Lino Mukurruza; “Tocar o Ser”, de Sánia Iacuti; e “Um Umbigo Arde na Boca”, de M. P. Bonde, que foram os outros quatro finalistas.
Já na categoria de prosa, Mélio Tinga foi melhor em relação aos livros “A Queda do Macombe Chipapata: Tramas e Revoltas”, de Celestino Joanguete; “As Origens”, de Lavimó da Verónica; “O Código das Serpentes”, de Hélder Muteia; e “Última Memória. Entrevista com Sthoe”, de Lucílio Manjate.
Léo Cote e Mélio Tinga são ambos residentes na cidade de Maputo. Mélio Tinga tem 31 anos e possui dez livros publicados em três países, Moçambique, Brasil e Portugal. Léo Cote tem 44 anos e possui seis livros publicados, todos apenas em Moçambique.
Na presença do escritor moçambicano que dá nome ao Prémio, Mia Couto, dos dirigentes da província de Sofala e da cidade da Beira, bem como dos representantes dos organizadores, o presidente do júri, Nataniel Ngomane, disse que a escolha dos dois vencedores foi por “unanimidade” dos elementos do Júri, de que fizeram ainda parte Teresa Noronha, Vanessa Riambau Pinheiro, Joaquim Arena e Marcelo Panguana.
Nesta terceira edição concorreram 36 escritores, sendo 21 para a categoria de poesia e 15 para a de prosa, cujas obras que foram publicadas por 14 editoras moçambicanas. Foram elegíveis para este ano as obras publicadas entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2024, nas duas categorias.
O Prémio, lançado em Junho de 2023, na Beira, na presença do escritor moçambicano Mia Couto, é anual e foi instituído no âmbito dos 25 anos que a Cornelder de Moçambique celebrou em Outubro de 2023.
A iniciativa pretende estimular a produção literária de qualidade no país, distinguindo as melhores obras publicadas anualmente. Cada vencedor do Prémio Literário Mia Couto é agraciado com o valor pecuniário de 400 mil meticais.
O Prémio tem duas categorias (prosa e poesia) e distingue uma obra em cada categoria, publicada no ano anterior. Para a categoria de prosa, nos anos pares, o Prémio é atribuído ao melhor livro de conto, e, nos anos ímpares, ao melhor romance. Assim sendo, neste ano de 2025, o Prémio distinguiu um romance.
Em 2023, na sua primeira edição, em que foram aceites excepcionalmente obras publicadas em 2021 e 2022, foram vencedores Bento Baloi, com a obra “No Verso da Cicatriz”, na categoria de romance (prosa com ficção), e Belmiro Mouzinho, com “Pétalas Negras ou a Sombra do Inanimado”, na categoria de poesia.
Em 2024, na segunda edição, o galardoado foi Adelino Albano Luís, com o livro “Estórias trazidas pela ventania”. Os membros do Júri nesta edição, nomeadamente Lourenço do Rosário (presidente), Teresa Manjate, Marcelo Panguana, Ondjaki e Tânia Macedo, decidiram, por “unanimidade”, não premiar qualquer das obras inscritas para a categoria de poesia, “por ter constatado a existência de algumas fragilidades na sua construção poética, uma decisão que está prevista no Artigo 23 do Regulamento do Prémio”, conforme explicou na altura Marcelo Panguana.
