“Sounds of Peace”, o aguardado oitavo álbum do homem do jazz Moreira Chonguiça, chega a nós 5 anos após o aclamado “M&M”, com o Leão de África, Manu Dibango. É um álbum instigador, reflexivo e introspectivo, que explora influências da herança moçambicana e experiências pessoais dos últimos anos. 


Inspirado pela rica diversidade e multiplicidade de línguas e tribos que caracterizam a paisagem cultural de Moçambique, Moreira Chonguiça usou melodias vocais, ritmos e instrumentos vários em músicas cantadas em diversos idiomas. Por exemplo, “Orera Khurera” é da província de Nampula, cantada na língua macua, idioma que, também presente nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Zambézia, é falado por cerca de 6 milhões de moçambicanos; “Myadi vya Imumu” e “Kwetu kwa Sidudu” são em maconde, da província de Cabo Delgado; já “Ndzakurhandza”, “Mamana wanga”, “Hosi” e “Nghwazi” trazem consigo idiomas dos grupos tsonga (a língua changana) e nguni (grupo de línguas faladas pelas etnias swazi, zulu e xhosa).

“Sounds of Peace” é, pois, uma celebração da vida, da diversidade, de diferenças e semelhanças entre os povos africanos, que têm uma multiplicidade de influências, de árabes, asiáticos, portugueses e outros europeus. É sobre paz, colaboração e saúde mental, importantes aspectos nesta desafiante época em que vivemos.

“Sounds of Peace” é uma celebração da vida, da diversidade, de diferenças e semelhanças entre os povos africanos. 

“Pretendo partilhar com os jovens, constituintes de uma parte significativa da população mundial, que não existem fronteiras na cultura. Não importa a raça, o país de origem, o que importa é que precisamos partilhar, precisamos criar espaço e silêncio para alcançar coisas sobre as quais não temos controle”, disse Chonguiça.

Moreira Chonguiça gravou este álbum integralmente em Moçambique, servindo-se de jovens músicos, alguns dos quais vindos do seu próprio projecto, o MoreJazz Big Band, lançado há oito anos. Foi um momento vivido em conjunto para cada um dos jovens buscar no seu âmago o sentimento mais puro e expressá-lo musicalmente. “Esta foi para mim uma gravação emocional e extraordinária, visto que alguns dos músicos nunca antes tinham estado envolvidos numa gravação desta natureza”, afirmou Chonguiça.

Foi na Friends Studios Productions Mozambique que se fez a gravação, com a assistência da SAMRO Music Creation Support Fund e da Água Vengo. A mistura e a masterização estiveram a cargo de Murray Anderson, na Milestone Studios, em Cape Town, África do Sul.

O álbum encontra-se disponível digitalmente desde 4 de Novembro, em todas as principais plataformas de streaming e Bandcamp. É oficialmente lançado também neste mês, tanto em Moçambique como no maior festival de jazz da África do Sul, o “Joy of Jazz”, no Sandton Convention Centre.


Sobre Moreira Chonguiça
Saxofonista de jazz, compositor e produtor moçambicano, Moreira Chonguiça é conhecido como um dos expoentes máximos do jazz inovador e original de África.

Como artista independente com sete álbuns premiados e amplamente aclamados, Moreira Chonguiça afirma-se a partir das suas raízes africanas. Suas enérgicas composições rítmicas contemporâneas, inspiradas por Miles Davis, Fela Kuti, Percy Sledge e Manu Dibango, ganharam aplausos nos seis continentes, marcadas por um som único, agilidade técnica e engenhosidade no saxofone alto e soprano, associados a uma apaixonada performance de palco.

A paixão e a motivação de Moreira para promover a cultura e o estilo de vida moçambicanos através do jazz fizeram com que o seu festival Morejazz Series, cuja primeira edição teve lugar em 2011, e a Morejazz Big Band, criada em 2014, se tornassem elementos permanentes no panorama jazzístico de Moçambique.