Monumento e Centro de Interpretação da Matola 

Um Memorial às vítimas do regime do apartheid

A madrugada de sábado, 30 de Janeiro de 1981, dava os primeiros passos na cidade da Matola quando uma brigada de comandos militares do regime do apartheid sul-africano entrou furtivamente pelas ruas da cidade para perpetrar um hediondo atentado contra combatentes do ramo militarizado do ANC (o Umkhonto we Sizwe - MK). Apesar da resposta corajosa dos combatentes do MK, o ataque, que teve lugar em três locais distintos em simultâneo, ceifou a vida a 13 membros do ANC e levou sob cativeiro alguns elementos. Para além destes, perderam também a vida um cidadão inocente e, do lado atacante, 3 comandos. Ao todo, 17 pessoas pereceram no ataque preparado e planeado minuciosamente pelas forças do apartheid para gorar os esforços para instaurar a igualdade de direitos entre as raças no país vizinho de Moçambique.

O fatídico episódio que ceifou a vida a estes homens ficou imortalizado para todo o sempre no Monumento e Centro de Interpretação da Matola, desde que este foi inaugurado, em 2015. Em pleno centro da Praça da Juventude daquela cidade podem encontrar-se três colunas representando os locais em que ocorreram os ataques, com a indicação de cada uma das vítimas. Na orla da praça central erguem-se pilares com os nomes das nações da África Austral que sofreram a repressão colonialista e segregação racial e que lutaram pela sua autodeterminação.

O Centro de Interpretação destaca-se do meio envolvente pela sua arquitectura moderna, e o seu espaço interior foi pensado de forma a que quem o visita possa imergir no percurso histórico da luta contra o apartheid e o colonialismo. Em conjunto, o Monumento e o Centro de Interpretação são um Memorial que pretende preservar um pedaço marcante da história da África Austral, bem como enaltecer o esforço empenhado pelos moçambicanos na luta contra o regime do apartheid. Documentar e divulgar para que a história não se perca no esquecimento, mas, sobretudo, para que não se repita o regime do apartheid, é a missão deste espaço que, indubitavelmente, vale a pena visitar.