Apostemos num turismo Inteligente!
Escrito por: Neyde Cuna
A tecnologia dominou o mundo e veio para ficar, um caminho sem volta. O mundo teve de se adaptar e inovar, e o turismo, onde a tecnologia é praticamente uma exigência, não é excepção. No domínio do turismo, a sobrevivência e competitividade está directamente ligada ao desenvolvimento tecnológico.
O mundo digital originou a tendência para turistas hiperconectados, bastante exigentes e que procuram respostas e soluções rápidas, o que abriu espaço para o desenvolvimento de destinos turísticos inteligentes. Ou seja, não só o turista, mas também o destino tem de ser conectado. Esses destinos são consolidados em infra-estruturas com tecnologia de ponta, espaços, produtos e serviços inovadores, garantindo o desenvolvimento sustentável da região e o acesso inclusivo de pessoas que possuam algum tipo de deficiência, o que engrandece a imagem do destino. Trazem experiências únicas, diferenciadas, ricas, prazerosas e uma maior interacção dos visitantes com o destino.
Em poucas palavras, as chaves para um destino inteligente são a tecnologia, a inovação e a sustentabilidade, e a experiência em si. Sem esquecer, claro, a governança, porque, agindo só, ninguém vai longe. As coisas acontecem nos destinos onde há uma governança forte, unida, com um objectivo em comum, que é fazer o destino crescer realmente. Os destinos inteligentes são destinos ligados ao wi-fi, aos drones, à inteligência artificial, neles se podendo encontrar, por exemplo, robôs que se dedicam ao atendimento ao cliente, a entreter crianças, a orientar hóspedes, assistência virtual para planeamento de viagens e passeios, e carros que são conduzidos sem motoristas. Máquinas que não descansam, estão disponíveis 24 horas por dia, nos 7 dias da semana. Importa, no entanto, referir que o toque humano é sempre indispensável.
“Temos de posicionar o destino e apostar mais na sua promoção no mundo online, senão ele nem sequer é considerado como opção. Sem informação actualizada e conteúdo interessante, esse destino não atrai ninguém”
Tais destinos lidam com a realidade virtual e a realidade aumentada, o que permite que os potenciais turistas estejam ou, pelo menos, se sintam no local antes mesmo de estarem nele presentes fisicamente. São emoções intensas e muita interactividade com o destino que fazem crescer no consumidor a vontade de estar efectivamente no local. Somente a tecnologia pode trazer uma maravilha dessas! As moedas virtuais, como a bitcoin e a turiscoin, dão ao turista a opção de viajar sem enfrentar as burocracias dos câmbios, e o famoso big data optimiza recursos, permite que o destino conheça mais e melhor os potenciais visitantes e possibilita uma oferta ainda mais personalizada, estratégias de marketing mais eficientes, e aí por diante. A verdade é que estas tecnologias elevam o turismo e as experiências a patamares jamais vistos, associados a inovação e a muita criatividade. Inovação essa que não precisa de ser complexa, aliás, boa inovação é aquela que nos faz reflectir e questionar como é que ninguém tinha pensado nela anteriormente, como é o caso do glamping, os acampamentos de luxo que combinam glamour e camping.
A Espanha é pioneira nos destinos turísticos inteligentes. Entretanto, vejo algumas oportunidades para Moçambique, como destino em vias de desenvolvimento para se tornar mais inteligente, que podem ser implementadas considerando a nossa realidade e tendo em conta que a evolução não será imediata. Poder-se-ia, desde já:
incentivar a criação de parcerias público-privadas para desenvolver infra-estruturas tecnológicas no país;
estimular a inovação e novas experiências no sector, pois os turistas procuram experiências incríveis, actividades autênticas e exclusivas, diferentes das que têm no lugar onde vivem;
encontrar um mecanismo para premiar as empresas mais inovadoras do país no sector do turismo;
posicionar o destino e apostar mais na sua promoção no mundo online, senão ele nem sequer é considerado como opção. Os potenciais visitantes buscam informações na internet e, sem informação actualizada e conteúdo interessante, esse destino não atrai ninguém;
disponibilizar wi-fi nos locais públicos;
incentivar as boas práticas sustentáveis, não só no destino como nas empresas;
criar zonas específicas para selfies (as chamadas selfie zones), o que tem a ver com os telemóveis, a tecnologia neste caso, e a inovação. Hoje as pessoas vão a um destino já a pensar nas fotos, e em particular nas selfies, pelo que nada mais inteligente do que estimulá-las em lugares estratégicos, como, por exemplo, lounges de hotéis e restaurantes. Ao postá-las para seu prazer, os turistas estarão divulgando o destino.
Bela iniciativa a que está na praia da Costa do Sol, o “I love Moz”, onde as pessoas tiram selfies e acabam promovendo a empresa criadora e Moçambique, um destino que atrai turistas pelas praias que tem.
A transição para um destino inteligente traz muitos benefícios, entre os quais o melhoramento da gestão, da planificação e da imagem do destino, potencializando a experiência turística, aumentando a competitividade e impulsionando o desenvolvimento sustentável. Vale sempre apostar nessa transformação!
